UM BUDISTA NO ASILO

Os passos não são lentos e nem a fala maviosa, porém tranquila ao ponto de ponderar sobre algumas razões imponderáveis, como a religião e sua finalidade: o caminho.

O aposentado Luiz Norberto dos Santos tem 74 anos, mora em Itapira há cinco e outros 17 vivencia a filosofia budista alternada com a da Igreja Messiânica.

Morava em Campinas onde se aprofundou nos ensinamentos de Sidharta Gautama, também conhecido por Buda Sakyamuni, autor de uma centena de sutras, que são o compêndio de suas lições de sabedoria, tolerância, desprendimento e evolução enfim. Trilha na tradição do  Kadampa, que tem como expoente Gueshe Kelsang Gyatso Rimpoche, um mestre.

Mora no asilo São Vicente de Paulo, em um quarto com mais dois colegas. Paga um salário pela estadia e sua presença é festejada. Os dias na instituição são vistos como uma gratidão que lhe oferece a oportunidade de crescimento espiritual.

Por onde passa distribui simpatia e o Johrei, a imposição de mãos que é uma espécie de passe ou reiki. “Acredito que estar no asilo, onde me sinto em paz, seja uma missão”, diz o ex-comerciante de colchões magnéticos que tem uma filha, com quem fala diariamente, e é viúvo. Não se casou mais também, embora estivesse separado quando da morte da esposa. Não se culpa pelo fato de fumar, mas compensa o vício por não comer carne e se alimentar naturalmente.

Sua vivência no budismo e na Igreja Messiânica o transformou em professor de novos membros em Johrei. Isto na cidade de Campinas. Também lá morou em uma escola budista, onde aprimorou os conhecimentos nesta religião, que, segundo ele, é ciência ou conduta ética. “Hoje me sinto feliz e realizado, desapegado de um monte de coisas”, confessa.

Acorda cedo e todos os dias realiza práticas simples: meditação e oração aspirativa – e não precisa de muito mais coisas para tocar a vida em frente. 

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