SUICÍDIO NÃO É BRINCADEIRA

Casos de suicídio ainda são tabu. A discussão abafada, geralmente com pejo preconceituoso, assim como ocorre contra o aborto por causa do machismo; dão a exata dimensão do problema que não pode ser levado em conta de brincadeira.

“No âmbito dos profissionais da saúde, a vontade de cometer o suicídio nunca foi tratada como coisa menor, como acontece na sociedade, que ridiculariza quem está passando por situações limites, achando que é coisa de gente fraca”, explica o psicólogo José Antonio Zago, coordenador do CAPS AD (Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Droga) de Itapira.

Embora ressalte que não seja especialista no assunto, Zago afirma que a regra número um a quem se depara com quem tem o desejo de pôr fim à vida é não deixar a queixa passar em branco.

“Familiares e amigos precisam e devem entender a situação, e incentivar a pessoa a procurar ajuda profissional o mais depressa possível”, observa.

O psicólogo ressalta que o chamado período de crise é quando as tendências suicidas se afloram mais explicitamente. Neste momento, é importante não deixar a pessoa sozinha.

“Dar atenção e ouvi-la são práticas que colaboram muito, em especial a quem está depressivo ou se imagina em desesperança. Não devemos virar as costas e achar que é coisa de gente que não tem o que fazer, simplesmente”, adverte.

Vale a menção de que a Organização Mundial de Saúde, a OMS, confirma que quase um milhão de pessoas se matam todos os anos no mundo, uma taxa de 11,4 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes.

O Brasil figura como o oitavo país em número de suicídios, com mais de 12 mil mortes, sendo 9,3 mil de homens e 2,7 mil mulheres Em 10 anos, entre 2000 e 2012, houve um aumento de 10,4% na quantidade de mortes, com um suicídio a cada 40 segundos.

De acordo com o psiquiatra Geraldo Possendoro, professor da Unifesp, em mais de 90% dos casos de suicídio, a pessoa já tinha alguma doença psiquiátrica, como depressão, psicose, demências, dentre outros.

Por sua vez, Zago corrobora que o uso de drogas e álcool, além da ocorrência de certas doenças crônicas, podem evoluir para o suicídio.

O coordenador do CAPS AD de Itapira ainda adverte que algumas formas de viver podem ser classificadas como suicidas também, como os esportes radicais e o abuso de substâncias que fazem mal ao corpo, e ajudam a consumir suas forças vitais lentamente.

“Fatores como migração, relações sociais instáveis e de casamento frouxas, falta de uma crença religiosa, desesperança em relação à vida e a ausência de objetivos contribuem para o incremento das taxas de suicídio. Então, fica a dica de que o melhor é procurar ajuda o quanto antes”, orienta Zago.

A psicóloga Karen Scavacini, cofundadora do Instituto Vita Alere de Prevenção e Posvenção do Suicídio, afirma que alguns sinais indiretos também podem ser percebidos nos períodos de crise.

“A pessoa passa a se despedir de parentes e amigos, apresenta irritabilidade, sentimento de culpa e choros frequentes. Passa ainda a colocar as coisas em ordem e ter uma aparente melhora. Muitas vezes, isso significa que já se decidiu pelo suicídio. É a falsa calmaria. Além disso tudo, comportamentos de risco desnecessários são observados neste contexto”, atesta. (da Gazeta Itapirense)


Onde procurar ajuda

– Secretaria de Saúde Mogi Guaçu – 3811-7272

– Instituto Bairral – www.bairral.com.br ou 3863.9400

– Instituto Vita Alere de Prevenção e Posvenção do Suicídiohttp://www.vitaalere.com.br/

– CVV (Centro de Valorização da Vida)www.cvv.org.br e redes sociais

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