SAUDADES: A ÉPOCA DE OURO DO RADICAL BREGA

Entre os anos 1970 e 1977 o Brasil viveu uma época de ouro do romantismo considerado brega, após o formidável estrondo da Jovem Guarda que já declinava.

Foi quando os empresários da música perceberam um vácuo no sentimento popular que precisava ser preenchido. Ecoar artistas que falassem diretamente à alma de milhões de pessoas, de amores perdidos e de tragédias emocionais.

Roberto Carlos desde sempre imperava nos corações e mentes, mas havia espaço para gente de talento como Evaldo Braga, Lindomar Castilho, Barros de Alencar, Márcio Greyck, Antonio Marcos, Leno, Diana, Lilian e Mauro Celso, dentre outros.

“Foi uma turma que realmente deu o que cantar, uma época de ouro do povão. Hoje em dia, se olharmos para as músicas deles, parece até clássico. Eram artistas que tinham uma empatia muito grande com o público. O rei deles todos, sem dúvida alguma, foi Odair José, mas este estava num patamar acima, com canções que pareciam até mesmo irônicas”, relembra Toninho Finelli, o decano dos locutores de Itapira.

O locutor lista alguns artistas do radical brega que coincidentemente morreram de forma trágica, em acidentes automobilísticos em pleno sucesso, caso de Evaldo Braga e Mauro Celso.

“O Evaldo foi uma perda muito grande e sentida pela população. Estava alçando voos mais altos após dois discos que venderam muito. Fotos dele das revistas ficaram pregadas em muitos quartos pelo Brasil afora. Acredito que se não tivesse morrido assim, iria migrar para a MPB, ao estilo de Wilson Simonal, mas o talento ficou para trás naquela rodovia. Até hoje, há quem peça músicas dele nos meus programas na Rádio Clube AM”, diz.

PRISÃO
– outro que conheceu a tragédia pessoal foi Lindomar Castilho, mas não por acidente. Ele matou a tiros a esposa, Eliane de Grammont, quando ela fazia um show, em São Paulo.

O resultado foi a prisão do cantor a quase 10 anos em regime fechado, além da pecha de assassino machista. Apesar disso, Lindomar vendeu centenas de milhares de disco e ficou conhecido por boleros hiper populares, como o ‘Você é Doida Demais’.

“Agora, quem ficou muito marcado pelos problemas pessoais foi Antonio Marcos, um cantor de talento incrível, muito inteligente, bem relacionado, com os dois pés na MPB séria, mas que perdeu a batalha para o alcoolismo. No auge, foi um cantor que emplacava qualquer sucesso”, recorda Finelli, que trampou em grandes emissoras de Sampa nos anos 60, 70 e 80, especialmente.

No emaranhado do radical brega houve, sim, exemplos de sucesso absoluto, de cantores que ficaram ricos e ainda influenciaram novos artistas, dentre eles Márcio Greyck, que ousou desbancar Roberto Carlos, nos meados dos anos 70, ao vender mais de 500 mil cópias do primeiro disco, permanecendo nas paradas de sucesso por seis meses ininterruptos.

“Greyck é um cantor ainda muito solicitado”, complementa Toninho Finelli. “Seus fãs são gente de meia idade tardia, e até os mais novos devido às regravações feitas por artistas recentes”, afirmou.

Há que citar também um artista temporão chamado Mauro Celso, que morreu em 1989 cantando praticamente as duas músicas que lhe renderam fama: Bilu Tetéia e Farofa-fá, esta última ficando entre as 10 faixas mais tocadas no Brasil em 1975.

O sucesso relâmpago o motivou a gravar um LP chamado ‘Mauro Celso para Crianças Até 80 Anos’. Infelizmente, faleceu em um acidente de carro no qual morreu afogado, mas deixou uma marca de alegria em um mar de lágrimas de dor de cotovelo.

DA GAZETA ITAPIRENSE

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