RIO SECA A OLHOS VISTOS. É HORA DE PENSAR EM RACIONAMENTO?

Com a seca que vergasta os municípios da região Sudeste, especialistas em saneamento expõem a fragilidade do sistema de captação de água para o consumo humano. Critica-se a espera do bafejo dos ciclos naturais ante uma política de ações eficazes.

O sistema Cantareira, da Grande São Paulo, é o exemplo gritante de que a ausência de investimentos no setor é a mola mestra de que o poder público foi omisso, e agora deposita toda a culpa na população, instada a consumir menos em decorrência de possíveis sanções – multas no caso.

O racionamento parece ser inevitável por lá.

Mas não é somente na grande São Paulo que a coisa anda preta.

Na Baixa Mogiana, os responsáveis pelas autarquias que vendem a água tratada queimam a cuca para buscar soluções mais ágeis, mas que amenizam a terrível constatação de que as falta do líquido precioso pode acontecer. Quase iminente.

O superintendente do Samae, Elias Fernandes de Carvalho, considera a situação crítica, mas longe de um tsunami seco, ou seja, do racionamento.

Carvalho observa que o Samae não assiste tudo passivamente, em especial a baixa do Rio Mogi Guaçu, que atingiu a menor em 40 anos e sendo responsável pela a consecução de apenas 10% dos peixes em piracema.

O Samae, explica Elias, trabalha campanhas de esclarecimento para um consumo racional e na outra ponta combate o desperdício.

A vantagem que conta a favor do Guaçu é que, por fazer parte de um sistema hídrico chamado de Bacia, imprime o benefício de contar com chuvas nas cabeceiras, o que possibilita uma sobrevida com relação ao manancial a ser disponibilizado.

No entanto, a desoxigenação que gera mortandades de milhares de peixes mostra a outra face nefasta da situação, o descontrole por agentes que impõem ao rio seus interesses, e daí para a degradação é um pulo, como se viu recentemente.

O fato é que os comentários temerosos não ignoram que o rio seca, principalmente para quem passa diariamente pela ponte de ferro, um cartão postal do município.

“Com certeza, não estamos de olhos vendados, pois estamos e monitorando a situação. Os guaçuanos podem ficar tranquilos com relação a isso”, tem explicitado Carvalho insistentemente.

Na região, em cidades como Itapira, o presidente do SAAE, José Armando Mantuan, convocou pelo menos duas coletivas para explanar que não risco de saneamento, por enquanto; contudo admoesta a população a não desperdiçar água em virtude de o manancial da cidade, o Ribeirão da Penha, ter um volume relativo, muito abaixo do que o próprio Rio Mogi Guaçu.

Campanhas de esclarecimento já pipocam no município vizinho e a preocupação é pelo fato de que, sem a natureza, o manancial não se repõe.

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