QUARESMA COMEÇA E MITOS RETORNAM COM TUDO

Um dos períodos litúrgicos mais fortes da Igreja Católica começou na última quarta-feira de Cinzas, e com ele se agrega todo um preparo penitencial pelo fiel em direção à Páscoa.
A Quaresma, no entanto, continua envolvida em mistérios e mito, lendas e histórias que povoam a imaginação de muitas pessoas, em especial as com mais idade.

Dona Tereza confirma que não come carne vermelha às sextas. Participante do coral da matriz de Nossa Senhora Aparecida dos Prados, afirma ter uma fé ativa desde criança. Contudo, lembra bem das lendas dos tempos de criança.

“Era uma coisa assustadora, com minha mãe pedindo para fechar as portas às seis da tarde, após a Ave Maria. Falava que as cobras e fantasmas andavam na rua, e a gente tinha muito medo. Hoje, com uma visão melhor, e acompanhando a liturgia católica, compreendo o real significado do período”, observa.

Já dona Lourdes, que ainda mora no sítio, comentou que mantinha o hábito de cobrir os espelho, santos e violão com toalha roxa ou preta. “Minha mãe também impedia do meu pai pegar em armas de fogo. Atualmente, olho para trás e dou muita risada disso tudo”, exclama.

Para Sebastiana Severino dos Santos, que já foi católica e hoje é espírita, nunca viu a quaresma como algo ruim ou assustador. “Quando eu era católica, participava ao meu jeito deste período, mas sem medos, porém de uma forma tranquila”, exclamou.

Segundo o padre João Gonçalves, da matriz da Penha, de Itapira, a palavra Quaresma vem de quarenta, que é Bíblico, e remete aos 40 dias do dilúvio, dos 40 anos do povo hebreu no deserto, dos 40 dias que Elias jejuou no monte, e especialmente dos 40 dias que Jesus jejuou no deserto.

“É  um período em que o católico é chamado a ter um caráter mais penitencial em suas vidas, reconhecer as limitações humanas, pedir perdão, participar dos sacramentos, ter uma vida de recolhimento e se preparar espiritualmente para celebrar a Páscoa”, orienta.

 O pároco adianta que a liturgia contempla a Via Sacra, missas mais intensas, a abstinência e jejum de carnes vermelhas na quarta-feira cinzas e sexta-feira santa.

“A abstinência contribui para frear os desejos intensos pelo o que é supérfluo. Mas é um período como qualquer outro, que, entretanto, deve ser vivido com tranquilidade, para ter controle de si mesmo a partir de um valor educativo e religioso, sem exageros, pois a vida segue normalmente”, assinala.

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