PREFEITURÁVEIS: CONHEÇA QUEM DESEJA GOVERNAR O GUAÇU

Quem são os prováveis pré-candidatos a prefeito da maior cidade da Baixa Mogiana, com aproximadamente 150 mil habitantes? Abaixo um perfil sintético de quem deseja governar um município com grandes potencialidades e dono de um orçamento de mais de R$ 470 milhões. Contudo, é possuidor de desafios próprios de cidades médias com viés de crescimento, mas preso, de forma geral, a uma mentalidade política nos anos 80 do século 20.

Vale lembrar que, apesar do orçamento considerável, o Guaçu possui baixa capacidade de investimento, de apenas 2% aproximadamente, sendo reflexo da situação econômica do país e do engessamento causado pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Tem uma arrecadação com crescimento vegetativo, que gasta nacos importantes com a folha de pagamento do funcionalismo, cerca de 52% de tudo o que arrecada – e uma dívida monstruosa, apesar de melhor gerida nos últimos 3 anos e 3 meses.

Há gargalos em serviços essenciais como acontece com todos os demais municípios brasileiros, dentre eles Saúde, Segurança, Educação, Transportes e Social. Por outro lado, há avanços como a vinda de novas empresas e a adequação financeira a partir de um trabalho sério na Fazenda.

Mas quem são os que desejam ir além de tudo isso? Veja os perfis e tire suas conclusões:

WALTER CAVEANHA – prefeito. Eleito para o quarto mandato, o atual, com mais de 35 mil votos, em 2012. De estilo reservado, inovou com maior participação junto aos servidores municipais e eventos públicos. Esteve próximo da população no recente alagamento do centro e bairros ribeirinhos e demonstrou humanidade. Está antenado com a política do corpo a corpo. Emplacou uma administração de reconstrução, já que, segundo se alega, pegou a Prefeitura com estragos consideráveis nas finanças por causa das dívidas supostamente deixadas pelo antecessor. Sua grande virtude foi, sim, administrar com responsabilidade. Eleito numa quadra onde os políticos são todos considerados culpados, realiza gestão séria, conservadora e com investimentos na medida do possível. Seu ponto alto: habitação, como as unidades do Pantanal e Araucária (esta vinda da gestão anterior) e a atração de novas empresas grandes, como Premiatta e Liu Gong, além de equipar a GCM com equipamentos e novos veículos.

MARCOS ANTONIO – empresário. Foi secretário de Educação na gestão Dr. Paulinho, quando implementou o sistema apostilado de ensino que, em tese, propunha equalizar a oferta da educação em nível fundamental. Foi uma aposta ousada e teria dado resultados positivos se a política de ignorância não interviesse. Foi candidato a prefeito em 2012, pelo PT, e surpreendeu com mais de 20 mil votos partindo do zero. Foi também candidato a deputado estadual pelo PSD e obteve pouco mais de 17 mil votos, não sendo uma votação considerada expressiva para alguns analistas. Possui um instituto de ensino técnico com alguns cursos universitários. Na campanha passada, a prefeito, conseguiu envolver uma parcela considerável do eleitorado cansada do passadismo político. É um dos nomes mais fortes da oposição, e colocando seu time em campo, que não tem poucos integrantes, pode surpreender. Seu ponto fraco é simpatia. Se conseguir ser um tiquinho mais simpático no quesito popular vai dar muito trabalho.

ALEX TAILÂNDIA – empresário. É vereador do PRB, mas foi eleito pelo PT, partido que transitava com lideranças em nível estadual, a ponto de isolar os dinossauros da legenda no município. Por ter saído do PT enfrenta processo de perda de mandato no TRE (Tribunal Regional Eleitoral). É combativo e opositor ferrenho, e tem feito uso das redes sociais de forma veemente para denunciar as dificuldades da atual administração na limpeza pública, capinagem, buracos, obras, saúde e outras áreas da gestão pública. Para as eleições deste ano, possuiria cativa parcela considerável do eleitoral, descontente com o continuísmo no poder local. É evangélico, mas transita bem no eleitorado de outras religiões. É um candidato forte da oposição, mas ainda precisaria modular o timer do temperamento político, de acordo com fontes do meio político.

DANIEL ROSSI – engenheiro. Vereador e principal liderança do PR (Partido da República) no Guaçu. Por várias eleições foi a principal referência da oposição, em especial em relação ao troca-troca de poder entre Walter Caveanha e Hélio Miachon. Foi candidato a prefeito, em 2004, e quase chegou lá. Também foi candidato a deputado estadual e por anos fez uma dupla, nem sempre tranquila, com o ex-prefeito Paulo Eduardo de Barros, o Dr. Paulinho. É ‘dono’ de um eleitorado cativo que, assim como ele, envelheceu, mas ainda bastante considerável e fiel. Sabe fazer política e como apoiador é decisivo num pleito eleitoral. Ao posto máximo do Paço Municipal dá a impressão de que viu o cavalo passando selado à sua frente e o deixou galopar sozinho. Contudo, ainda tem um bom sprint político.

HÉLIO MIACHON BUENO –
empresário. O ex-prefeito guaçuano por três vezes. É considerado um campeão de votos, decisivo em eleições para deputado e prefeito. Nas eleições de 2012, por exemplo, apoiou de forma inédita o atual gestor, Walter Caveanha, em uma parceria histórica após anos e anos de rinhas e embates com o grupo que administra o Guaçu atualmente. Principal referência do PMDB por décadas, e seu líder inconteste, seja quem for o presidente da legenda, é um mundo político a parte. Ninguém é maior que ele no partido. É querido pelos funcionários públicos municipais e realiza a política paroquiana, simples e objetiva, sabendo lidar como ninguém com a população dos bairros considerados periféricos. Fez três administrações consideradas arroz com feijão, sem quaisquer ineditismos, criatividades, obras ou ousadia, segundo os seus detratores. No entanto, deixou marcas consideradas indeléveis como o permanente diálogo com o funcionalismo. É um trator em campanha, mas enfrentaria dificuldades no Judiciário para sair candidato a prefeito. Contudo, sua ficha está limpa e não haveria impedimento – no momento – para que concorresse no pleito de 2016. 

ANDRÉ OLIVEIRA – professor de biologia na rede estadual. É pré-candidato pelo PSol. Defende pontos de vistas ousados, considerados tabus no Brasil conservador e atrasado do momento, tais como a ideologia de gênero, igualdade entre homens, mulheres e o público LGBT. Simpático e respeitador, sabe manejar o diálogo para esmiuçar o que pensa.
Busca a equalização racial e tem uma forte plataforma social, visando políticas públicas para os mais pobres. Tem um público cativo entre estudantes e é ferrenho opositor à política educacional do governo de SP. Na eleição de 2016 tenta dar maior visibilidade ao seu partido, ainda bem modesto em Mogi Guaçu.
 
PAULO EDUARDO DE BARROS –
médico. Dr. Paulinho, hoje no PHS, já foi a principal referência do PV na região de Campinas. Foi o único político que rompeu a dupla troca de comando entre Walter e Hélio Miachon após 38 anos. Eleito em 2012, fez dois anos de governo que colocou no chinelo seus principais opositores, quando quase elegeu sua esposa, Dra Sandra, a deputada estadual, que ficou como terceira suplente. Foi candidato a deputado federal e obteve mais de 32 mil votos. Eleito prefeito com 29 mil votos, em 2012, e fez uma administração realizadora, com ênfase em obras, chegando ao recorde de mais de 120 em menos de 4 anos. Retomou a política habitacional do município após anos de estagnação. Reformou o antigo terminal de coletivos, quando aquilo lá era um pardieiro, e irrompeu investimentos em saneamento. Sua administração colocou em prática o Orçamento Participativo e fez da Ouvidoria um órgão de comunicação com a população de fato. Concedeu os maiores reajustes da história do Guaçu aos servidores municipais, porém se equivocou no aumento do IPTU, seu calcanhar de Aquiles, cuja oposição soube manobrar até lhe desgastar no poder e junto ao eleitorado; mas não está morto.


MARÇAL DAMIÃO –
sindicalista e filiado ao SD (Solidariedade). É vice-prefeito pela segunda vez, sendo eleito pela com Dr. Paulinho em 2012, mas rompeu um semestre depois de ganhar as eleiçõe. É o atual diretor do CEGEP Mário Covas, recuperando matrículas e a força da instituição dentro e fora de Mogi Guaçu. Como sindicalista, tirou o Sindicato dos Metalúrgicos do ostracismo e o catapultou a ser um dos maiores do Estado no seu segmento de atuação. Após 20 anos como gestor maior do SindMetal, perdeu as eleições dois anos atrás, mas voltou como assessor da atual presidência e agora recupera o controle da entidade para tirá-la do vermelho. Político popular, tem no diálogo a força maior da sua política. Há quem pense que ele perdeu a chance de governar de fato o Guaçu ao apoiar Caveanha, em 2012, quando era o nome que amalgamava a oposição, sua principal referência. Também pode ser candidato a vereador.

Bira Mariano

Formado em Jornalismo pela Unaerp - Universidade de Ribeirão Preto, com módulos de pós-graduação em Jornalismo On Line pela Fundação Cásper Líbero. Trabalha na área desde 1995 e possui alguns sites, dentre eles o Jornalístico e o Animal e Companhia.

2 Comentários

  • Responder fevereiro 29, 2016

    ROSIANE MARTINS

    Acredito que política é assim mesmo.
    Devemos lembrar, que antes de tudo , precisamos de alguém que tenha objetivo único”trabalhar para o povo e pelo povo”, diante disso, é difícil escolher um candidato de peso, pois todos são bons até que tenham o poder nas mãos.
    Devemos considerar que será sempre assim, hoje sou oposição, amanhã sou situação, ou seja, cada um tem sua vez de ter telhado de vidro.
    A nós, cidadãos e eleitores, devemos pesar e pensar, pois exemplos temos de sobra, em todos os âmbitos, inclusive nacional. Lembrando que não votamos no partido, pois isso pode ser facilmente mudado, votamos sim, no caráter, na pessoa humano, que é frágil, pois a fragilidade faz parte de ser humano!

  • Responder fevereiro 21, 2016

    cleofas Viana

    ressalvadas algumas piadas e o Araucária, o artigo etá muito legal

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