PERDI MEU ANJINHO: relato de uma mãe sobre a morte do filho

Alessandra Cristina Margarida, dona de casa, perdeu o seu anjinho Tiago Ferreira há 10 dias. O menino tinha apenas um ano de idade e morreu nos braços da mãe em casa, na chácara que trabalha nas proximidades do Porto Pirata, divisa com Itapira.

Tiago tinha síndrome de down e outras doenças que complicavam seu quadro clínico. Problemas no coração o deixavam arfante e como não podia comer normalmente era obrigado a se alimentar com sonda, que o fazia engasgar com o leite que escorria para os pulmões.

“Tinha que ficar com ele 24 horas por dia”, comentou a mãe ainda ‘passada’ e cansada como quem sai de uma guerra que não teve fim; não ganhou, mas também não perdeu. No meio da batalha todos foram embora, inclusive o seu pequeno. Ficou o vazio do deserto sem direção.

“Tenho que ir para frente, seguir a vida, possuo mais quatro filhos e não posso abandoná-los ”, declarou a mamãe com voz tênue, fraca, pra dentro, olhar pra baixo.

O tempo não cura a ausência do filho e nem provoca o esquecimento. Na verdade, o que acontece é que o luto se modifica, transforma-se no decorrer do tempo, segundo os pesquisadores do tema.
Aos poucos, como fazem a maioria das mães e pais que passam pelo luto, retoma as tarefas da sua vida. Cuidar dos filhos é uma delas, talvez a principal.

Um deles é Elias Daniel Ferreira, 1 ano, irmão gêmeo de Tiago, o que morreu. Os outros 3 dão aquele trabalho que ocupa a cabeça que roda a mil.

Com o marido William mantém um pacto informal de silêncio sobre o assunto. “A gente não tem muito o que conversar sobre isso um com outro”, observa Alessandra, que, mesmo com os problemas de saúde de Tiago, daria a própria vida para fazer tudo de novo. “É uma dor muito grande, uma dor que não tem fim”, explica.

Os quatro irmãos não entendem muito bem o que aconteceu. Acreditam que o irmãozinho foi para o céu e não questionam as razões de Tiago ter ido embora. Vivem a doce ilusão da infância de que, apesar da tristeza, é possível sorrir e brincar.

Vale dizer que semelhante a Alessandra, milhares de mães e pais passam pela dor da perda de um filho. Na internet, uma comunidade chamada “Perdi Meu Bebê – Mães de Anjos’ catalisa as emoções do luto dos participantes, mulheres em especial. Juntos, dão força uns aos outros. Publicam depoimentos, post, mensagens e fotos.

É uma verdadeira aula de esperança e solidariedade a respeito do grande e verdadeiro amores de suas vidas, que, de uma hora pra outra, resolveram criar asas e ir brincar com o papai do céu.

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