PAULINHO SOLTA O VERBO E DIZ: “O POVO SOLICITA QUE EU VOLTE

Quando o ex-presidente Fernando Collor, uma versão piorada do atual ilegítimo Michel Temer, estava prestes a sair do poder, o então deputado Ulisses Guimarães, do antigo PMDB, cunhou uma frase que ganhou repercussão Brasil afora, a partir do programa Jô Soares Onze e Meia, do SBT.

“Collor é um chicharro”, disse o doutor Ulysses, o senhor Diretas.

Chicharro era uma designação para político que estaria morto, mas não sabia que havia morrido, politicamente falando. Seria uma espécie de fantasma.

Esta tem sido a missão do ex-prefeito Paulo Eduardo de Barros, a de provar que não é chicharro e nem fantasma, mas que ainda assusta meio mundo quando se fala em candidatura a prefeito, em especial os adversários.

De fato, Paulinho não está morto. Barros fez história ao entrar na dança das cadeiras para prefeito ao desferir um petardo, em 2009, no troca-troca de poder entre Walter Caveanha e Hélio Miachon Bueno, atualmente unidos em torno do atual projeto administrativo. No entanto, saiu pela porta dos fundos quatro anos depois, com altos índices de rejeição. Longe de se considerar chicharro, Dr. Paulinho, com sua obstinação contumaz, busca conversar com a população. Falar é com ele mesmo.

Por isso mesmo, tem participado de encontros de casa em casa, sempre a convite. São diálogos regados a risadas, como diz, mas com seriedade quando se precisa. A discussão é, sem dúvida alguma, o atual panorama guaçuano. Na ocasião, não perde a oportunidade de esclarecer o que sempre considerou uma injustiça. “Saí da prefeitura com altos índices de rejeição, com o nome jogado na lama, mas agora, junto ao povo, tenho a oportunidade de esclarecer tudo que fizeram comigo. É o que estou fazendo: colocando tudo em pratos limpos. A recepção é acalorada, humana, sensível e amável. Percebo uma decepção por parte da população pelos rumos que o Guaçu está tomando”, declarou.


JORNAL DO GUAÇU: o que o senhor tem feito desde que deixou o cargo de prefeito, mais precisamente neste ano?

 PAULO EDUARDO DE BARROS: fora da prefeitura voltei a clinicar. Um mês depois de deixar o cargo já estava em meu consultório. Claro que a política faz parte da minha vida. Fui prefeito de Mogi Guaçu durante quatro anos e fizemos uma administração dinâmica. Tanto é que colocamos em prática, e terminamos, aproximadamente 150 obras em diversas regiões da cidade, dentre elas cito o Samu, UPA, terminal de ônibus coletivo, parque linear do Córrego dos Macacos, revitalização das áreas verdes do Parque Cidade Nova, reforma e ampla modernização do Hospital Municipal, bases propícias para o Buriti Shopping, obras anti-enchentes no Zaniboni, fizemos cultura, demos uniformes aos alunos da rede municipal, melhoramos a merenda, entre várias outras ações. Apesar disso, o nosso governo saiu desmoralizado da Prefeitura.


JORNAL DO GUAÇU:
Quais as razões desta desmoralização, na sua opinião?

DR. PAULINHO: de repente eu fui taxado de o maior ladrão do mundo e o prefeito pior da história. Isto não aconteceu por acaso. Foi a deliberação de uma junção de grupos opositores que foram apeados do poder, mas queriam ganhar a eleição [em 2012]. A única saída foi me desmoralizar como candidato e pessoa. Obviamente que eu fiquei muito chateado com isso, justamente porque fizemos uma administração que tinha trabalhado tanto, rompido com clubinho entre famílias que faziam da prefeitura um feudo próprio. Eu desejei ver Mogi Guaçu fora deste ciclo vicioso, que fazia da prefeitura um repasto de dois grupos. Sair do jeito que saí, defenestrado como algo horrível por causa de meia dúzia de pessoas de má índole não foi justo. Então, como o tempo é o senhor da razão, resolvi, em janeiro deste ano, colocar uma missão pessoal: conversar com as pessoas, fazer reuniões com lideranças de bairros, candidatos a vereador, e quem quer que seja, para esclarecer tudo o que aconteceu naqueles anos. Meus interlocutores são pessoas que sentem na pele o quanto Mogi Guaçu regrediu desde que saí do governo, e o quanto poderia estar avançada.

JORNAL DO GUAÇU: e o que tem conversado com as pessoas?

DR. PAULINHO: conto sobretudo a verdadeira história. Explico a todos o que de fato aconteceu. Exponho os fatos com autenticidade, olho no olho, tim-tim por tim-tim. Afirmo que o Dr. Paulinho não é o produto daquele jogo odioso de desqualificação pessoal que um grupo de meia dúzia de pessoas realizou. Demonstro que o Dr. Paulinho é uma pessoa de trabalho, com 32 anos de profissão, que atende em seu consultório, que ama a cidade e que tem uma folha de serviços prestados à comunidade guaçuana, e que realizou muito pelo município.

JORNAL DO GUAÇU: e a receptividade dos interlocutores?

DR. PAULINHO: temos tido uma receptividade humana, compreensível, acalorada e tranquila. Mantemos um diálogo e dou oportunidade para que as pessoas exponham os seus pontos de vista, que cobrem também. Porém, o que percebo é que as pessoas estão de coração aberto e ficam admiradas diante do jogo sórdido feito contra mim, São encontros em nível pessoal, no âmbito da emoção pura. Mas, se vai desembocar numa possível candidatura minha, somente o tempo é quem vai dizer.


JORNAL DO GUAÇU:
o senhor não tem vontade de ser prefeito novamente?


DR. PAULINHO:
é claro que a gente tem, pois gostei de ser prefeito e trabalhei muito pela cidade. Prefeito é uma vocação que pode e tem oportunidade de fazer bem aos outros. E o que tenho percebido é que, apesar de terem me achincalhado, e jogado o meu nome na lama, a população compara o antes e o depois. Sabe do que eu fiz e o legado de obras que deixei, como, por exemplo, as unidades que a atual administração está entregando, de fato, cinco foram conquistadas ainda sob a minha administração. Outro exemplo são as casas populares. Mais de 80% fomos nós que conseguimos. Tínhamos gana e vontade de fazer. Íamos a Brasília e não ficávamos apenas na barra da saia de São Paulo.


JORNAL DO GUAÇU:
 o senhor tem consciência da enorme rejeição ao seu nome?

PAULINHO: tenho clara consciência de que saí da prefeitura com uma rejeição enorme e com o nome jogado à lama. Mas, a melhor maneira de superar a rejeição é contar a verdade, em todos os sentidos, os porquês das coisas, é busco eliminar a rejeição. Um fator positivo, como já disse, são todas as obras que realizei e como Mogi Guaçu avançou na minha administração, e como a cidade voltou a ficar parada novamente. Eu tenho um legado e somente eu posso falar por ele, pois fui participante da história. Tenho obtido uma resposta favorável da população e vou retirar esta rejeição tranquilamente, se Deus quiser. Sabe por quê? Porque eu ando na cidade e ouço como a população está descontente com o que vem acontecendo.


JORNAL DO GUAÇU: de que forma acontece esta recepção?

DR. PAULINHO: um bom exemplo são os cumprimentos. Hoje sou cumprimentado com alegria pelas pessoas, completamente diferente de quando saí da prefeitura. O tempo foi mostrando que se tratava de um monte de mentiras desferidas contra a minha pessoa, com um único objetivo de ganhar a eleição e dividir a prefeitura entre os mesmos de antes. O povo está vendo a verdadeira história, de que a cidade não evoluiu e ainda perdeu um monte de coisas que a gente tinha conquistado. O atual cenário de Mogi Guaçu tem contribuído a meu favor. Já são dois meses de encontros com as famílias de vários bairros, da região dos Ypês, da zona leste, zona sul, dentre outros.

 

Unidades habitacionais, novos postos de saúde, AME, novo terminal do Parque dos Ingás, UPA, Shopping, Samu, Parque do Córrego dos Macacos, dentre outras: Paulinho avalia que a população reconhece a sua administração pelas obras deixadas. “É fator que supera rejeição”, acredita

JORNAL DO GUAÇU: reconhece determinados erros administrativos como o exorbitante reajuste do IPTU, a suspensão da Unimed dos servidores e, finalmente, o fato de a sua gestão deixar de coletar o lixo no apagar das luzes de 2012?

DR. PAULINHO: o IPTU é fundamental que eu explique em detalhes porque sem o reajuste não daria nem para pagar os salários dos servidores, assim como os compromissos habituais da prefeitura. Tanto é que o grupo que venceu a eleição, em 2012, se comprometeu em abaixar o IPTU e não fez nada disso até agora. Pelo contrário: reajustou o imposto anualmente pela inflação e aproveitou a oportunidade para tocar o barco, com o caixa mais substancioso em R$ 75 milhões que eu propiciei a eles. Mas é preciso ver o IPTU sob a ótica real. Comparando com Mogi Mirim, que tem metade da nossa população e a metade do número de moradias, o nosso IPTU não era e nunca foi condizente com a realidade financeira do que o município precisa. Em 2010, o IPTU de Mogi Mirim gerava receita da ordem de R$ 40 milhões, enquanto que em Mogi Guaçu as receitas ficavam em cerca de R$ 4 milhões.

O reajuste que muitos falam que foi enorme, e eu contesto, aumentou a receita do Guaçu de R$ 3 milhões para R$ 12 milhões. Ainda assim, 4 vezes menor em relação a Mogi Mirim, que em 2012 já arrecadava R$ 46 milhões. O que ninguém fala é que deixamos 22 mil casas isentas do reajuste do IPTU daquela época. Nós majoramos a que tinham imóveis, quem pagava menos no que deveria ou especulava com o setor imobiliário.

Veja, sem o IPTU reajustado, por exemplo, não sairia o shopping, já que o terreno onde o empreendimento está localizado pertencia à família Mazon, que pagava apenas R$ 3 mil por ano por 200 mil metros quadrados. Com o reajuste do imposto, o terreno passou a ter um IPTU de R$ 1 milhão, e desta forma contribuiu para a negociação do terreno. Então saiu o shopping, que empregou, de início, quase duas mil famílias. Agora compare, em termos de empregos, com a Liu Gong e a Premiatta. O que elas empregam? Não passam de 40 empregos diretos. Muito aquém do que prometeram para a municipalidade.
 

JORNAL DO GUAÇU: houve casos de famílias que pagavam de imposto em torno de R$ 250,00, e de repente passaram a pagar R$ 900,00 por ano. Isto em bairros como o Igaçaba, por exemplo.

DR. PAULINHO: foi feito geoprocessamento e se constatou que haviam irregularidades, com puxadinhos e outras dependências no imóvel que não estavam declaradas documentalmente. Porém, os casos que foram exorbitantes, em excesso, foram devidamente corrigidos e não houve uma divulgação destas medidas. Além disso, eu não descarto o boicote contra o nosso IPTU, no sentido de terem agido de forma estranha justamente no geoprocessamento. Isto significou que, na mesma rua, em residências do mesmo tamanho no Igaçaba, no exemplo citado, apresentarem valores diferenciados. Isto é um tipo de boicote.


JORNAL DO GUAÇU:
considera que o reajuste do IPTU foi um fator que aglutinou as oposições contra o seu governo, que até então gozava de um alto índice de aprovação?

DR. PAULINHO: foi o principal fator do início de desgaste que perdurou até o final. A oposição percebeu que o reajuste do imposto estava mal explicado e se aproveitou da situação, mesmo sabendo que a arrecadação do imposto era irrisória e que o imposto fica 100% no município. A partir dali é que começou a cair o nosso governo, pois a oposição estimulou as famílias a não pagarem o IPTU e o ISS. Então, o nosso rendimento com o tributo começou a cair.

Mesmo assim, levamos às duras penas a situação até agosto de 2012, e aí ruiu de vez por todas. As consequências foram cortes de serviços, dentre os quais a coleta do lixo, cuja empresa responsável não quis continuar devido aos poucos atrasos no pagamento da terceirização. Não foi uma decisão de não querermos coletar o lixo, mas de adequação de pagamentos que estavam por acontecer, em especial os salários dos servidores, que era mais importante no final das contas. A empresa que coletava o lixo se aproveitou da fragilidade do final do nosso governo, pressionou demais pelo pagamento e decidiu se retirar, mas também não sobrou nada para ela. A nova administração não deu sequência ao contrato. Agora, você concorda que, se eu continuo prefeito não haveria suspensão da coleta de lixo? É que seria de interesse deles não romper o contrato para receber o dinheiro e ficar mais quatro anos.


JORNAL DO GUAÇU:
e a Unimed dos servidores?

DR. PAULINHO: a Unimed foi eminentemente uma coisa politiqueira por parte da empresa, cujo superintendente era e sempre foi ligado ao ex-prefeito Hélio Miachon Bueno. Mas este lance da Unimed da Baixa Mogiana contra mim começou em 2000, quando fui candidato a presidente da cooperativa, perdendo por apenas 19 votos. A minha candidatura causou um frisson no meio e pela primeira vez os médicos tiveram opção de voto contra os que estavam encastelado nos cargos desde sempre. Por causa disso, houve sempre um sentido de perseguição contra mim. Faz parte, é da vida. Aí, quando eu ganhei a eleição em 2009 o cabo da panela virou. A Unimed da Baixa Mogiana estava em uma situação muito difícil financeiramente, em especial em relação ao ISS das quatro cidades que ela abrange. Se as prefeituras das cidades cobrassem os valores devidos pela Unimed, a empresa quebraria.

Então, o presidente da Unimed veio conversar comigo, dizendo da preocupação que tinha em relação às finanças. Eles acreditavam que, como prefeito, fosse pra cima deles. No entanto, fiz diferente. No encontro, no gabinete da prefeitura, eu disse para ele que a Unimed cuidava de 65 mil vidas, e que o município não tinha condições de cuidar de todas estas pessoas. Declarei que iria colaborar com a Unimed e valorizar a empresa. Intercedi junto aos prefeitos de Itapira, Estiva e Mogi Mirim e todos eles negociaram com a Unimed soluções mais propícias.

Conclusão: todos os atrasados foram acertados e a Unimed também ajudou as prefeituras ao realizar cirurgias. Para se ter uma ideia da situação da Unimed, a empresa não tinha condições de participar de concorrência pública porque estava impossibilitada legalmente. Tanto é que, no caso dos servidores da nossa cidade, quem participou da concorrência para o plano de saúde foi a Federação das Unimeds, que deu um belo plano de saúde para os trabalhadores, algo que nunca mais aconteceu em Mogi Guaçu. Daí a Federação das Unimeds repassou o plano para a Unimed da Baixa Mogiana, que foi favorecida economicamente pela prefeitura pelos serviços prestados.


JORNAL DO GUAÇU:
o caldo entornou quando?

DR. PAULINHO: com a história do IPTU, juntamente com as manifestações em frente da Câmara, o estímulo a não pagar o imposto, a nossa administração começou a ter problemas de caixa. Além disso, a partir de 2010 teve o início da crise do país, contribuindo ainda mais para que tivéssemos um fluxo de caixa cada vez pior. Quando chegou em setembro de 2012 não tínhamos mais condições de pagar a Unimed, ou seja, de realizar o repasse para a empresa. O atraso aconteceu em 25 de agosto de 2012, mas confirmamos o pagamento para 10 de outubro do mesmo ano. Mas, a Unimed, que era opositora ao meu governo, começou a pressionar pelo pagamento. Veja, o superintendente da cooperativa foi 8 anos superintendente do Hospital Municipal no governo do Hélio Miachon.

Isto sem falar que o presidente da Unimed também foi secretário do ex-prefeito Hélio por 8 anos. Por aí as pessoas podem ter uma noção do que se passou naquele momento. Fui apunhalado pelas costas, já que, enquanto prefeito ajudei a Unimed a não quebrar, ela simplesmente cuspiu no prato em que comeu. Mesmo assim, fui pessoalmente à sede da Federação das Unimeds, em São Paulo, para pedir que esperassem o pagamento no dia 10 de outubro, ou seja, mas ouvi do presidente da Federação que, por ele, tudo bem, mas o problema era a Unimed de Mogi Guaçu, que impedia a prorrogação do pagamento. Então, ele fez uma ligação telefônica para o superintendente da empresa, aqui no Guaçu, e colocou o telefone no viva-voz: a resposta foi um absurdo sonoro: “não acerta nada com ele, não. Porque ele é contra a gente e vai perder a eleição”.

O resultado disso tudo nós todos conhecemos. Foi uma barbaridade, brincaram com vidas. Olha, se fizerem um levantamento objetivo e imparcial dos 20 anos, antes da minha administração, pelo menos 15 anos a Unimed ficava sem receber no final de casa ano, sendo ressarcida em janeiro-fevereiro do ano posterior. Infelizmente fomos apunhalado. Nossa administração fez muito pela Unimed, contudo acalentamos o inimigo até o um dia em que ele nos traiu. Mas, mesmo contudo isso, naquela eleição de 2012 tivemos 18 mil votos, apesar de toda a desmoralização que sofremos.

Se não houvesse este problema com o plano de saúde, com certeza, o resultado das eleições talvez seria outro. Isto porque todo o funcionalismo público ficou contra, já que havia cirurgia para fazer, atendimento em andamento de familiares deles. No fundo, eu fico pensando que tipo de pessoas são estas que brincam com as vidas das pessoas. Será que não fariam algo pior se tivessem oportunidade?

Dr. Paulinho: ex-prefeito já realizou reuniões em mais de 10 bairros das zonas Norte, Sul e Leste: “a caravana continua porque a população precisa saber da verdade”


JORNAL DO GUAÇU:
e por falar em funcionários públicos, o fato de ter rejeição junto aos trabalhadores da prefeitura também não contribuiu para que eles não acreditassem na suposta ação política da Unimed contra o seu governo?

DR. PAULINHO: há uma mistificação em torno deste dado, de que os funcionários me rejeitam. É preciso entender a dinâmica de toda a minha gestão. Eu fui o prefeito que mais deu reajuste de salário para o funcionalismo público municipal, que mais o valorizou em termos de carreira. Demos plano de saúde amplo, doamos cerca de 11 mil metros para a construção do clube de campo, construímos um condomínio de casas, o Araucária, inteiramente destinado aos servidores, conquistamos plano odontológico e melhoramos a cesta básica. Mesmo assim, o sindicato fez uma greve política que, no final das contas, somente demonstrou o quanto realizamos.

E aí o fuxico que se fez acabou com o relacionamento que poderia ter entre a minha administração com os servidores. Mas é só comparar o que demos em quatro anos e o que os trabalhadores não ganharam até agora. Eu quero ver, agora em abril, se o prefeito vai dar aumentou para os servidores como eles merecem. Quero ver mais: se o sindicato, que abaixou a cabeça pro atual governo, vai fazer greve diante do achatamento dos salários que já acontece. Quero ver se o sindicato vai ficar do lado dos trabalhadores.


JORNAL DO GUAÇU:
sua administração também foi bastante criticada pelas atitudes de muitos secretários. Arrepende de algum nome?

DR. PAULINHO: não, não. Veja, secretários são criticados em todas as gestões. Todavia cabe uma explicação. Com exceção dos professores, a maior parte dos secretários e dos ocupantes de cargos em comissão estava comigo desde o ano 2000. Aliás, desde 1998, quando o Daniel [vice-prefeito atualmente] foi candidato a deputado. E foi um grupo que se aglutinou e acreditou na dobrada Daniel e Paulinho em várias eleições. E era natural que este pessoal fosse conosco para a prefeitura. Agora, grande parte do secretariado pecou pela inexperiência de uma tarimba política e de poder público. E aí se depararam com políticos como Salvador Francelli [ex-vereador e atual secretário de Obras e Viação] que fabricava factoides, ia à Justiça, ocupava a tribuna da Câmara e contava com parte da mídia engajada em destruir as mudanças na política guaçuana. E hoje ele é secretário. Então eu me pergunto: será que os problemas viários acabaram só porque o Salvador é o manda-chuva da SOV? A população pode responder.


JORNAL DO GUAÇU:
o que a cidade está precisando?

DR. PAULINHO: sem dúvida nenhuma é de empresas, de gerar empregos, da renda para quem precisa. O desemprego é uma consequência, claro, da economia nacional, mas se o prefeito não fizer a parte dele, buscar empresas e ter criatividade as coisas não funcionam. Veja, quantos empregos a Liu Gong e a Premiatta trouxeram? Prometeram centenas de empregos, mas não chega a 35 nas duas empresas. Somente o shopping, que se instalou em minha gestão, junto com o Tenda, empregou duas mil pessoas numa arrancada só e gerou um polo de entretenimento, lazer e cultura no Guaçu. A Dicico veio também no meu governo. E não venham me dizer que o comércio e a prestação de serviço não geram emprego. Se fosse assim, Londrina (PR) e Ribeirão Preto não seriam as potências que são.

O que falta é determinação, vontade de superar e não esperar nada de mão beijada dos governos só porque se tem padrinhos. A prefeitura não pode ficar sujeita aos compadrios de políticos, como a um feudo para este ou aquele medalhão político. É preciso ir além. Eu questiono ainda mais: antes da minha eleição, quais as empresas que os grupos que administram a cidade trouxeram nos últimos 16 anos?

 

JORNAL DO GUAÇU: em termos de grupo político, como tem composto do PHS com as forças que emergem no cenário atual?

DR. PAULINHO: estamos sentido é da necessidade de uma oposição séria e coerente. Eu acredito que a votação do atual prefeito na última eleição não se deve ao governo dele, mas pela ausência de uma oposição firme e propositiva. Buscamos compor um diálogo com as novas lideranças do presente e do passado, pela experiência que possuem. Tenho sido muito bem recebido por todos.


JORNAL DO GUAÇU:
como prevê o cenário na próxima eleição?

DR. PAULINHO: eu prevejo que teremos um monte de candidato a prefeito, dentre eles o Daniel Rossi, o Tailândia, o André Bueno, o Marcos Antonio, o Dr. Denis, este pelo grupo do Walter; além de um candidato do grupo do Hélio. Acho que todos os pretensos candidatos têm que trabalhar como candidatos. Quando chegar em 2020, com pesquisa eleitoral, aí é hora de chegar e conversar para ver se vai juntar ou será cada um por si. Mas, quem sabe uma frente pelo Guaçu, para resgatar o município, seja ratificada. Nada é impossível.


JORNAL DO GUAÇU:
 a sua candidatura é provável?

DR. PAULINHO: toda candidatura é algo solitário. O candidato precisa ser um bom candidato. Lideranças novas precisam surgir, contudo necessitam ser lapidadas. Nos últimos 44 anos só deu Carlos Nelson (prefeito de Mogi Mirim), Walter Caveanha e Hélio Miachon. Eu fui o único que rompi esta sequência, o que comprova a importância de novas lideranças políticas, mas com experiência para levar adiante os grandes projetos de que a cidade necessita.

 

JORNAL DO GUAÇU: se fosse prefeito, o que faria na administração?

DR. PAULINHO: esta é uma pergunta difícil de responder pois implica pensar bastante no que se vai dizer. Porém, eu iria atrás de indústrias pelos mesmos motivos que já falei anteriormente. Criar oportunidades de emprego, de renda e de oportunidades para os guaçuanos. Investiria no sistema viário, já que o projeto das pontes e das mudanças fomos nós que propusemos e alicerçamos. Também continuaria a investir em saúde em virtude de termos recuperado o Hospital Municipal, ter trazido a UPA, o Samu e recuperar o dotar de funcionalidade o Centro de Especialidades. Buscamos o AME e o atendimento de oncologia, além de termos modernizado a UTI do Tabajara Ramos. Na área de saúde, que evoluiu muito no nosso governo, ainda trouxemos cinco dos novos postos que estão sendo entregues pelo atual governo.

Tanto é que não se mudou nem o nome porque a entrega já estava efetivada. Também recuperaria a educação e valorizaria os seus servidores. Outra coisa que deve ser feita é acertar o centro da cidade, revitalizando-o para que os lojistas, que estão lá há décadas, tenham condições de competir com o shopping. Garantiria ainda a valorização do funcionalismo público. Em linhas gerais, são estas medidas que colocaria em prática.

 

JORNAL DO GUAÇU: pra finalizar, o que as pessoas dizem durante as reuniões realizadas?

DR. PAULINHO: eu tenho ouvido, com muita constância, é: “volta, Paulinho!”. As pessoas têm declarado isso porque se sentem enganadas com o que o Guaçu atualmente. Não por parte do prefeito, que eu o compreendo na sua luta; mas por parte de muitas pessoas que o cercam, que fizeram o que fizeram comigo para chegar ao poder para, simplesmente, esquecer o povo depois.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *