“OS POBRES DO GUAÇU QUE SE FODAM”

Pastor que defende o fechamento de albergues. Classe média que maldiz os pobres e os chamam de vagabundos. Preconceitos contra gays, lésbicas e mendigos. Desvalidos que precisam de ajuda humana e só recebem pedradas.

Crianças tratadas com desafeto e crueldade, maltrapilhas e necessitadas. Mulheres desrespeitadas. Agentes de força de segurança que se parecem rambos caipiras em fotografias de manchetes que vendem a desgraça como notícia. Maldade. Falta se solidariedade. Ausência de amor.

Este caos acima parece coisa distante de nós, mas é encontrado em Mogi Guaçu. Tudo isso é fato no nosso tecido social, esgarçado por uma volúpia individualista que presume varrer para debaixo do tapete o que não apetece aos olhos.

O fato de um pastor defender o fechamento de albergues é emblemático. Ele é um cristão apenas de protoforma. Se o fosse de verdade, deixaria a gritaria de lado nos templos improvisados em qualquer galpão e se colocaria a caminho de Jerusalém. Como samaritano ajudaria o desvalido ao largo do caminho.

Este pastor sintetiza o pensamento de classe média que venera o consumo de panela de arroz elétrica, enquanto ridiculariza as ações assertivas que buscam corrigir a distorção histórica de mais de 500 anos de Casa Grande estraçalhando a senzala.

Os pobres estão sendo esquecidos. Não pelo poder público apenas. Aliás, prefeituras e governos fazem das tripas coração para tentar soerguer quem mais precisa com políticas de assistência social. LOAS (Lei Orgânica da Assistência Social) é um avanço.

 Culpa do governo tanta desgraça? É sim, mas também é da sociedade como um todo.

A sociedade dos medianos que diz ser pagadora de impostos, mas não pensa em dividir seu quinhão a não ser quando isso lhe acarrete dividendos. Os ricos, ora essa, os ricos dão uma banana para todos.

Se pudessem dizer, diriam: “os pobres do Guaçu que se fodam”, e teriam o apoio do pastor que pediu o fechamento de albergues e da classe média.  

Infelizmente, há quem defenda os ricos criticando a Bolsa Família e a xingam de Bolsa Esmola.

Porém, estes mesmos não têm coragem de criticar na mesma sintonia os 3 filhos do Roberto Marinho, donos do mega oligopólio chamado Central Globo Comunicação, agora detentores da maior riqueza do país em uma só família: mais de US$ 21 bilhões.

Dá ou não dá para transformar a saúde do Brasil em padrão Fifa!?

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