O SOFRIMENTO DE QUEM ESTÁ NAS RUAS

Barba, Marcio, Índio, Cláudio, Claudinho e Sr. Orlando. O quinteto, que chega a beber 40 corotinhos de pinga por dia, nada mais é do que um grupo de homens desiludidos por amor. Todos responsabilizam a perda da cara-metade como ponto de partida para caírem no trecho. São amantes da rua.

O mais falante deles, Rubens Pinto, o Barba, de 63 anos, nasceu em São Sebastião da Grama, onde foi criado, mas adora Mogi Guaçu, onde conheceu a ex-esposa, de 72 anos, atualmente residente na cidade de Itapira. Com ela ficou casado 28 anos.

Falar de dona Benedita, faz Barba evocar boas lembranças, de tempos bons, de recordações de quando era viajante, vendedor de produtos de plástico, e percorria os municípios da região.

Com a ex-mulher teve quatro filhos: Adriana, Luciano, Flaviano e Karina. Esta última, a caçula, ocupa destaque no seu coração. “Mora em Jundiaí, onde tem um comércio”, diz o Barba da paz, como se autodenomina. “Não desejo mal a ninguém”, contou ao jornal Gazeta Itapirense.

Lágrimas grossas escorrem pelo rosto vincado pelo tempo perdido. É passado ainda presente. Meses e mais meses, anos a fio andando pelas ruas de cidade em cidade, acolhido pelos serviços de Promoção Social.

“No momento, estou parado aqui em Itapira. Não quero briga, quero paz. Não uso droga, mas gosto de tomar pinga. Se tem pinga, eu bebo mesmo”, exclama.

A bebida da pior qualidade faz parte da vida destes homens, que são como você, que lê esta reportagem. A diferença é que a família, esteio de qualquer situação, lhe rompeu os elos, talvez por não entender o que se passava no íntimo de um maluco-beleza – sem as notas poéticas de Raul Seixas.
Lhe restaram a vida crua das calçadas, da sarjetas duras e frias, que esfolam, deixam marcas e sequelas. Mas ainda assim, preferível, pois não os julgam.

“Já passei fome e frio. Já passei de tudo o que você possa imaginar. Mas, o pior é o desprezo e a humilhação, o abandono e a solidão por quem se ama. Eu fiz de tudo pra esta pessoa. Eu adoro ela”, afirma Barba, ainda apaixonado. Resta-lhe apenas chorar.

No pulso, um terço, como a querer pegar nas mãos de Deus e implorar milagres, que nunca virão enquanto não entender que é preciso salvar a si próprio.

A vida de quem vive nas ruas é uma aventura. A suposta liberdade é chumbada pela desilusão. O alcoolismo e outros problemas psiquiátricos surgem aos borbotões, e as histórias desconexas são o ponto de partida para compreender que uns nascem para sofrer, enquanto outros riem.

Mas, com certeza, todos choram!

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