O ALHO ESTÁ PELA HORA DA MORTE

Um dos itens mais importantes da culinária nacional, o alho, está com preço pela hora da morte. Sem ele, o feijão, a carne, o arroz e até mesmo as saladas perdem em sabor e gostosura.
O produto está custando na faixa dos R$ 25,90 a R$ 30,00 o quilo, e o valor se equipara aos das carnes de primeira mais nobres.

É isto mesmo. Comprar alho, atualmente, é preciso ter bom senso para não perder a mão do orçamento. O encarregado de hortifrutigranjeiros dos Supermercados Rofatto, Alexandre Oliveira, explicou que o contexto se deve a dois fatores que parecem contraditórios.

“A maioria do que é produzido aqui dentro é destinada à exportação, então só resta ao mercado nacional importar o produto. Aí o valor do Dólar influencia o preço do quilo, que vai às alturas”, comentou.

Há quem diga que os impostos também ardem na hora do vamos ver. É o que constata outro encarregado de hortis, também de um grande supermercado local, que pediu para não ter o nome divulgado.

“Os impostos sobre os alimentos que não fazem parte da cesta básica acabam tendo uma taxação muito maior, encarecendo o valor do quilo. E quem paga o pato é o consumidor no final das contas”, pondera.

Pesquisa do IEA (Instituto de Economia Agrícola), feita em 260 estabelecimentos do Estado de São Paulo, analisou a variação do quilo que era de R$ 18,00 há cinco meses, atingindo o ápice em maio, quando custou R$ 32,40 em média.

Agora, caiu em torno de 5%, mas mesmo assim salga o bolso dos consumidores. Como comparação, vale a lembrança de que, no mesmo período, o quilo da picanha saía por R$ 40,93 e do filé-mignon por R$ 40,74.

A dona de casa Alice Diana, que tinha costume de comprar um quilo por mês, enxugou o orçamento e leva apenas entre duzentos a trezentos gramas e olhe lá. “Usava em quase tudo na cozinha, mas reduzi drasticamente. Na salada, nem pensar. Só um pouquinho no feijão e na carne para dar sabor”, afirma.

Já a comerciante Edna Siqueira virou adepta do alho a granel e diz que só leva “um pouquinho mesmo” cada vez que vai à feira.

Ela contou que comprava bastante para temperar os ingredientes dos salgados que produz, mas o cabo da viola entortou e agora faz o que pode. “O uso está mais restrito realmente; somente para dar um saborzinho para não perder a qualidade do que produzo”, observa.

Uma saída é a utilização do alho triturado de embalagens de plástico, mas nem todos os consumidores gostam da opção por conter ácido ascórbico ou até vinagre como conservadores, o que inviabiliza o uso em frituras como de costume e afeta a qualidade do sabor.

O preço, contudo, é convidativo e 20% mais barato, em média, do que o produto tradicional. Além disso, o rendimento é condizente.

“Apesar de não ser como o de cabeça, o alho triturado pode ser uma alternativa muito boa se souber usá-lo”, afirmou a dona de casa Lucimara Linoletto.   

Vale a menção de que o alho acumula alta de 35,57% de janeiro a maio, segundo o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor). A inflação geral no período teve alta de 4,61%.

DA GAZETA ITAPIRENSE

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