NO GUAÇU: PROPAGANDAS EXCLUEM NEGROS E APROFUNDAM O FOSSO DA DESIGUALDADE

Não é de hoje que a propaganda brasileira possui viés racista, de gênero e machismo. Contudo, com a onda do politicamente correto, as agências dos grandes centros buscaram diversificar os biótipos de raça e cor em suas peças de marketing.

Não é o que acontece, infelizmente, no interior profundo. Por aqui, parecem replicar o velho chavão de que negro não vende.

É o que se pode depreender de peças publicitárias de escolas privadas, centros de compra e lazer, supermercado e outros locais de uso público onde os negros foram e são suprimidos da propaganda de forma contumaz e vergonhosa.

O típico acinte é verificado não só em Mogi Guaçu, Mogi Mirim e Itapira, mas nas demais cidades da microrregião.

Em determinados estabelecimentos, o racismo é tão brutal que os modelos das peças são todos loiros, peles alvas e olhos claros – verdes ou azuis – sejam crianças, adultos e idosos.

Uma rede de supermercados, com lojas em Mogi e o Guaçu, tem farta quantidade deste tipo de material excludente nos computadores dos caixas, folders e panfletos diversos.

Ali o negro, é o que parece, é o que menos importa para o marketing.

ENSINO

E o que dizer de uma escola de comunhão cristã em que, ao menos nos outdoors espalhados no Guaçu e Mogi, são expostas crianças clarinhas com porções de cabelos arruivados e sorrisos angelicais da classe média eugenista?

Preto, então, não pode sair ao lado dos filhinhos de mamãe e papai? Ou será que não tem negro na escola?!

Obviamente que, conscientemente, ninguém aprova o racismo no estabelecimento escolar e longe parece estar a administração a figurar nestes termos odientos.

Porém, a análise do discurso de dentro para fora da escola lembra a de exclusão dos negros. Até mesmo os morenos de fato são extraídos no outdoor. Eles não existem e a propaganda poderia muito bem ser divulgada em países da Escandinávia.

Isto porque, o que importa, para o espelho social, é que os aluninhos são todos da cor do leite, com os olhos clarinhos que transparecem a vontade de que nenhuma pecha negra vai estragar o reino dos branquinhos, bem nutridos e perfumados.

COMPRAS

Também há formatos de exclusão da pele negra nos flyers do site de um grande centro de compras do Guaçu. Os namorados que surgem na propaganda online, além de heterossexuais, são, vejam só, ambos brancos com madeixas de luzes loiras.

Qual a razão? Quem escolheu este tipo de casal? Representa que estrato da sociedade?

Representa, sim, enfim, o típico casal de classe média do Brasil: pequeno burguês, preconceituoso e que, por mania de reclamar, taxa os pobres de vagabundos; a procriar filhos que irão fazer parte das propagandas que solapam as diversidades como sói acontece num ciclo vicioso.

Tomam de assalto as oportunidade de direitos alheios e ainda costumam criticar a igualdade entre pessoas de bolivarianismo.

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