‘MÚMIAS’ DAS RUAS ESCONDEM O LIMITE DA DIGNIDADE

O cobertor esconde o pouco que restou da dignidade humana, a vergonha de ter falido socialmente e por estar na rua enfrentando a execração e o opróbrio público. São moradores do asfalto, das calçadas e das marquises.
Matilham por andanças até encontrar comida e por um pouso risível, geralmente de albergue em albergue público ou filantrópico. Carlos mora na rua há dois anos.

Declarou ter nascido em Araraquara há exatos 28 anos. Possuiria o ensino médio incompleto e profissão definida não tem. Alcoólico, mantinha uma garrafa de água mineral ao lado do seu corpo enrolado por um pedaço de pano, que lhe dá um aspecto de múmia – ou de burca. Outros são vistos rotineiramente próximo do albergue, que há anos dá pernoite e comida.

“Não gosto de falar muito de mim, vai embora”, gritou com uma voz rouca no chão que habita de lugar em lugar. Sentiu-se acuado com a câmera fotográfica e num instante passou do sentimento amistoso à cólera, e voltou a ser envolver no pano que lhe configura um aspecto de sarcófago que o protege do assédio e dos olhos indagadores.

Carlos perambula de del em del e está na rua há dois anos

Distúrbios mentais, alcoolismo e problemas com drogas são os passivos mais eloquentes de quem perdeu quase tudo. Chegam ao serviço público com todas estas necessidades. Raros são os que não possuem distúrbios psíquicos em graus diversos.

Estudos do psiquiatra Uriel Heckert confirmam diagnósticos regulares de esquizofrenia ou de transtorno delirante, esquizofrenia indiferenciada, esquizofrenia paranoide e esquizofrenia hebefrênica. Todas tendo como base o abuso do álcool de forma renitente e crônica.


BUSCA ATIVA

A Secretaria de Promoção Social de Mogi Guaçu faz três vezes por semana abordagens – busca ativa – a moradores de rua. Na ocasião é oferecido a eles encaminhamento à Casa de Acolhida, internação para aqueles que desejam se livrar de vícios com bebidas e drogas e também banho e comida no Albergue da Associação Espírita Vinha de Jesus.

Na mesma operação são feitos encaminhamentos e acompanhamentos dos moradores de rua para consultas médicas e odontológicas. Também é fornecido passagens para cidades como Campinas e São Paulo, entre outras da região, para as pessoas que solicitam, uma vez que não há como fornecer passagens para  idades que ficam em outros estados ou muito distantes de Mogi Guaçu.

Também é feito o acompanhamento da triagem da Casa de Acolhido junto aos moradores que manifestam a ela o desejo de deixar a rua. Os moradores de rua que decidem retomar os vínculos familiares ou são encaminhados para internação passam a ter direito a uma Bolsa Família de R$ 70,00. A Prefeitura faz repasse de subsídio ao Albergue e tem convênio com a Casa de Acolhida. Foi o que informou a Secretaria de Comunicação da Prefeitura.

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