MULHERES DÃO BASTA ÀS CANTADAS DE PEDREIRO

Apesar de toda a liberdade de gêneros do momento, as mulheres ainda gostam de serem tratadas com flor e carinho. Xavecos de quinta, ofensivos e vulgares, aqueles que as expõem de forma indecorosa, estão por fora. É coisa de sem noção e merecem queimar no mármore do inferno.

Para Reiza Souza Malheiros, o constrangimento dependerá do tipo da abordagem realizada pelos homens. “Se for agressiva, contumaz e cheia de sexismo, a cantada se torna ofensiva e diminui a mulher. A gente se sente vulnerável desta forma”, pondera a moça de 24 anos.

Segundo a psicóloga e professora da Universidade Campinas (Unicamp), Nereida Salette da Silveira, certas situações do cotidiano parecem inofensivas, mas carregam uma imensa carga de agressividade.    

Ela chegou à conclusão de que as cantadas vulgares possuem um efeito devastador, já que não são elogios, mas sim, assédios, passíveis até de denúncia na Delegacia da Mulher.

De acordo com a pesquisadora, os assédios de rua podem ser caracterizados de diversas maneiras, indo desde ações verbais ou gestos,até a ações em lugares públicos, direcionados a uma pessoa com base nas relações de gêneros. “O ato se faz por meio de assobios, insultos, palavras de baixo calão, pedido de número de telefone, agressão sexual, entre outros”, cita.

O investigador de Polícia, Daniel Porfírio, declara que não é costume o registro de BO’s por causa de cantadas, em Itapira. Segundo Porfírio, isto acontece porque haveria uma cultura machista que vê a cantada como natural na nossa sociedade; todavia, é tida como uma ofensa ao marido ou namorado da vítima, que deveria, esta sim, ser amparada.

“Muitos maridos e namorados até consideram que foi a mulher deles que deu abertura para receber a cantada. Daí o fato delas não se sentirem seguras para denunciar os abusos verbais ou coisa do tipo”, observa.

A comerciante Awdrey Bovo, no entanto, ressalta que é preciso denunciar quem extrapola o limite da normalidade “Principalmente quando o xaveco deixa de ser verbal e passa a ter uma conotação física, com o homem nos perseguindo pelas ruas”, adverte.

Mas, para Awdrey, não são todas as cantadas que vulgarizam as mulheres. Segundo comerciantes, quando as palavras são bem colocadas, elevam os egos delas e as tornam especiais. “Uma dica: as mulheres não gostam de serem chamadas de gostosas de uma forma acintosa, com um jeito de que vão engoli-las”, explica.

A comerciária Kanichya dos Santos Borges, tem uma tese a respeito dos xavecos desrespeitosos, que se originariam, segundo ela, na educação deficiente recebida em casa, sendo ainda uma questão de evolução mental, que atinge homens e mulheres na mesma proporção.

“Existem mulheres que se vestem de um jeito que é para provocar e receber estes elogios indecorosos. Para mim, há vários tipos de homens e mulheres no mundo. Por isso é que tem que haver mais respeito entre as pessoas”, assinala.

Por fim, Érica Helena da Silva vai direto ao ponto, e destaca que, as cantadas constrangedoras estão fora de cogitação, especialmente aquelas cheias de maldade, ou que ressaltam determinadas partes do corpo feminino de uma forma grotesca.

“Já tive que mudar de rua para evitar homens que mexiam comigo como se eu fosse qualquer coisa, menos um ser humano que merece o respeito como qualquer outro”, comentou.

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