MULHERES CASAM MAIS TARDE, MAS EXIGEM FESTA DE ARROMBA

Chegou o grande dia. No altar, o noivo espera com ansiedade a mulher dos seus sonhos desfilar por entre convidados da cerimônia religiosa. Ela surge exuberante à soleira da porta de entrada. A luz do exterior divisa a silhueta feminina esbelta, resultado de meses e meses de regime.

Os olhos coruscantes dele não sinalizam senão a bela imagem da noiva, com um vestido de R$ 15 mil, comprado ao longo de dois anos. Ela está linda, como nunca esteve.

A mantilha de metros e metros se arrasta pelo carpete central. Maquiagem, estética e jóias. Tudo combinando para o grande dia dela. Por entre flashes do fotógrafo, especialista em captar emoções, esgueira-se a cerimonialista num dos cantos da nave central da igreja. Ansiosa, deseja que tudo transcorra de conformidade com a tradição, sem erros.

Entretanto, pouca gente ali sabe: o casamento dos sonhos custou quase R$ 80 mil. É um evento marcante, calculado nos mínimos detalhes. O dinheiro? Ora, o dinheiro é apenas uma questão de detalhe.

VALE À PENA –
a cerimonialista Raquel de Alvarenga Gutierrez é também assessora de casamento da Amanda Trajes Finos, empresa especializada no ramo. Há 15 anos, Raquel lida com estas fortes emoções.

Para ela, os valores do casamento é algo que não está em pauta. “Claro que os noivos fazem cálculos, mas a programação é sempre antecipada e paga em parcelas. Tudo vale à pena”, menciona.

A tarefa de Raquel é uma dentre muitas que escudam os noivos na hora H. Como cerimonialista, ela programa a agenda da noiva nos mínimos detalhes: cota os buffets, cuida da decoração na recepção e na igreja, organiza convites e faz todo o meio campo para que a noiva chegue maravilhosa ao seu grande dia, sem grandes estresses.

“A ansiedade é grande por parte delas, então é preciso ter paciência e tranqüilidade até próximo da entrada da igreja, No fim, tudo dá certo, pois a programação é bastante antecipada e com calma a gente sempre chega lá da melhor forma possível”, afirma.

Um dos componentes do casamento, o vestido, segundo Raquel, tem que ser exclusivamente branco. A tradição impõe-se nesta hora, embora outras cores por vezes sejam requisitadas. “Tem que passar uma imagem de elegância, de beleza e ao mesmo tempo sexy, sem ser vulgar”, afirma.

A alternativa para quem deseja casar de vestido branco e marcante, porém sem despender quantias vultosas, é o aluguel. Hoje, a locação de um vestido bacana fica entre R$ 1,2 mil a R$ 6 mil, dependendo da coleção e do modelo.

MAIS TARDE –
As mulheres estão casando mais tarde. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a idade média subiu para entre 24 e 29 anos. Elas desejam terminar a faculdade e se estabelecerem profissionalmente. Depois de tudo organizado nas finanças é que vem o casamento propriamente dito. Mas querem tudo com pompa e circunstância.

Fernanda de Paula Bueno, de 22 anos (acima à esquerda), é noiva há dois anos, mas por enquanto não prefere se casar. Em conjunto o noivo, Diego, optou por adiar o ‘grande sonho’ para quando tiverem uma carreira profissional mais sólida.
Contudo, faz questão de que o seu casamento seja um evento marcante. “É um único dia, por isso tem que ser maravilhoso para mim, para meu futuro marido, os convidados e a família. Já estamos nos preparando para isso”, observou.

REGISTRO –
como todo grande evento, os registros desta data tão especial são feitos de várias formas, como em gravações em vídeo, por exemplo. Mas é o álbum de fotografias que toca fundo no coração dos nubentes.

André Pedro é um fotógrafo requisitado quando o assunto é casamento. Ele adverte que não é apenas chegar e clicar. “É preciso contextualizar sentimentos, ter um olhar diferenciado, perceber o que acontece ao redor de tudo.

É a lágrima de uma avó viva, é o noivinho com uma expressão diferenciada. O fotógrafo precisa ter a compreensão de que o casamento não é tão só imagens belas, mas captar a beleza do que está ao redor dos noivos também”, explica.

Expert em casamentos, o também fotógrafo Zalberto Silva, um dos mais contratados para cobrir cerimônias, na média de mais 30 por ano, destaca que o importante é registrar emoções.

“Buscamos ter um amplo olhar para tudo o que envolva os noivos, em especial delas; o que lhe tocam os sentimentos mais profundos naquele momento, como a felicidade e a realização de um grande sonho. O resultado é sempre mágico”, assinala. (da GAZETA ITAPIRENSE)

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