MORADOR DE RUA DORME EM CASINHA DE CACHORRO

Nestes dias onde a temperatura entrou em queda livre, felizmente, existem aqueles que se preocupam com a situação dos moradores de rua. Um caso comovente registrado em Mogi Mirim tem como um dos protagonistas a dona de casa Maria de Lourdes Gomes, uma itapirense radicada na vizinha cidade desde o final da década de 1960. Natural do bairro de Eleutério, mudou-se com a família para Mogi Mirim depois que o pai conseguiu juntar dinheiro para comprar um pedaço de terra onde hoje está localizado o bairro Santa Luzia, zona norte da cidade.

Num terreno de sua propriedade, ela abrigou ao coletor de produtos recicláveis Luiz Antonio Evangelista, de 62, que morava na rua. Evangelista passou a dormir num carro que ficava estacionado no local. No começo desta semana, o proprietário do veículo levou-o de volta e Evangelista literalmente ficou sem chão para morar. Foi aí que de posse de seus pertences, resumindo-se a algumas peças de roupa, uma lona plástica e um cobertor, pediu que dona Maria de Lourdes lhe cedesse uma casa de cachorro que estava no quintal, abandonada.

“Fiquei assustada com o pedido, mas compreendi seu propósito. Dizer que a gente se sente confortável numa situação destas, nem tem como. De meu desejo, se recebesse algum tipo de ajuda, até construiria um cômodo para abriga-lo, mas não posso”, confidenciou. Maria de Lourdes fornece ainda alimentação e até compra remédios para ele.

Ela intuiu que se tornasse público o caso, seria mais fácil de receber ajuda para Evangelista, daí tomou iniciativa de comunicar o JORNAL A COMARCA, do grupo GAZETA ITAPIRENSE.

Sofrimento

Evangelista disse que sentiu frio à noite. Não era para menos. A temperatura, por conta de uma massa de ar polar que chegou da região sul do continente, despencou nesta semana, chegando a 6,1 graus positivos na madrugada de ontem. “Foi um sofrimento”, relatou. “Ainda sim acho que seria pior se não tivesse onde me abrigar”, reconheceu.

Ele disse ainda que tem problema de visão por causa de uma cirurgia de catarata mal sucedida e um problema na perna causada por uma fratura. Paulistano de nascimento, ele se fixou na região a partir de 1973, no então distrito guaçuano de Estiva Gerbi. Segundo ele, a última vez que tentou contato com um parente foi em Santo Antonio do Jardim, mas acabou não dando certo. Recolhendo material reciclável disse que ganha “uma merreca”, a qual, segundo ele, acaba lhe ajudando em algumas situações.

REPORTAGEM E FOTO DE FERNANDO GASPARINI
Gazeta Itapirense
A Comarca

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *