MISSÃO MAMÃE: AS ALEGRIAS DA MATERNIDADE

Ser mãe nos dias de hoje não é nada fácil. Convenhamos, tudo remete para um mundo cheio de contradições, que promove a cultura da violência e da maldade, ao mesmo tempo que empurra a mulher, mesmo as mais modernas e descoladas, à ideologia da ‘mulherzinha’, que precisa ser mãe a todo custo para ser integral perante uma sociedade que define o terno e o amoroso como ruins.

A psicanalista Estela Wonsik, mãe de quatro filhos, confirma que a cultura contemporânea não está para a maternidade libertadora.

“Ser mãe é um desafio mais avassalador do que antigamente, apesar da liberdade que temos de escolher o momento de engravidar, a opção de planejar o número de filhos, os suplementos que nos tornam mais aptas a gerar filhos saudáveis”, diz.

Mesmo com os tempos mudados, apesar da imposição da tecnologia, ser mãe ainda é um processo interno tão antigo quanto nos tempos de Eva e Adão.

Implica numa conciliação que requer ombros pesados para exercer diversas funções ao mesmo tempo, mas sempre retornando ao início da geração. É o mito do eterno retorno.

A mulher carrega em si toda da cosmogonia universal, por isso a maternidade está envolta num manto sagrado que alguns dizem ser instintiva, mas que não passa de função social repassada por gerações.

A realidade da mulher moderna é muito mais agressiva do que foi com as suas avós. Segundo Estela Wonsik, a complexidade que submerge a mulher num turbilhão de tarefas, faz com que ter filhos seja uma experiência desorganizadora, que as remete a emoções profundas e desconhecidas, guardadas no inconsciente.

E não raro a energia explode em situações nada agradáveis, em traumas, bem diferente das propagandas de margarina, do detergente em pó ou de venda de apartamentos. Mas, mesmo assim, ser mãe é um sonho. É padecer no Paraíso e redimir a humanidade a cada nascimento.

A professora Andreia Terrazan, mãe da Beatriz Pivoto Pascoalin, de cinco anos, considera que ser mãe seja uma missão extremamente difícil, mas tão amada quanto.
Segundo ela, as responsabilidades de bem criar a própria filha é a mesma que tem para com os filhos de outras famílias, quando em sala de aula.

Para Andréia, toda mulher tem vontade de ser mãe, mesmo as reticentes, que dizem que não querem sê-la. “Há um desejo secreto lá no fundo de cada uma de nós. É uma experiência incrível, que muda radicalmente toda uma vida, para melhor, claro, em nome do amor”, ressalta.

A auxiliar de produção Andréia da Silva Rosário, é mão de Enzo Gabriel, de 2 anos e 2 meses, e considera a tarefa de ser mãe uma fonte de preocupação constante, mas nada de neuras.

Ela acredita que o fato de estar obrigada a trabalhar, e deixar o filho em creche, ou com familiares, gera uma tensão que permite o exercício da liberdade.

“Tenho que criar o meu filho com confiança. Embora tenha o desejo de protegê-lo a todo instante, reconheço que não isto não é possível. Então, procuro oferecer uma boa educação, dentro das minhas possibilidades”, declara.

Para a doméstica Sabrina Fernanda Augusto, a filhota Rafaely Vitória, de 3 anos, veio como novidade inesperada, mas hoje é como que um presente dado por Deus.

Apesar de ser mãe e pai ao mesmo tempo, já que é separada, não reclama da maternidade, pois considera a pequena tudo em sua vida. “Tenho dificuldades econômicas no dia a dia, mas ser mãe não é um fardo, muito pelo contrário. Busco ser um porto seguro para ela. Quem ainda tem medo de gerar um filho deveria repensar duas vezes, e correr atrás dos objetivos e lutar em frente”, aconselhou.


“Mãe pode ser realização”

A psicóloga Flávia Toledo Lima confirma que a liberdade para a escolha do matrimônio e da concepção propicia a diminuição do número de casamentos e o decréscimo de famílias nucleares com filhos.

Mas, na contramão da modernidade, e em fidelidade ao que se convencionou chamar instinto maternal, muitas mulheres encontram na maternidade a grande realização de suas vidas. “Ser mãe torna-as mais realizadas, plenas e felizes. São mulheres que sacrificam seus sonhos profissionais e mesmos anseios pessoais para se doarem aos filhos”.

Segundo a psicóloga, são exemplos que devem ser reconhecidos e admirados, afinal a presença de uma boa mãe nos primeiros anos de vida das crianças é de grande importância para o desenvolvimento da boa personalidade, e principalmente de um caráter integro.

“Às mães bem intencionadas, o nosso grande agradecimento pelo benefício que fazem a toda a sociedade”, observa.

(da Gazeta Itapirense)

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