MILAGRE: A SAGA DE DOIS PAIS PARA SALVAR O FILHO EPILÉTICO

A luta de Elisabete e Flavio Deluccia, mulher e marido, por uma melhor qualidade de vida do pequeno A., de 2 anos, emociona e cativa. O filho – moreno e lindo – sofre de convulsões de epilepsia desde os dois meses de idade.

Os ataques epiléticos, em média até dois por dia, levaram a situações embaraçosas no convívio social. Por conta disso, e até mesmo devido às necessidades próprias impostas pelo problema orgânico, fizeram A. crescer envolto a medicamentos e cuidados especiais dos genitores, parentes e amigos próximos.

Contudo, desde dezembro de 2014 as convulsões quase que desapareceram. Tornaram-se assintomáticas. Milagre? Sim, com certeza.


Foi milagre da ciência e também da fé de quem nunca perdeu as esperanças para que A. pudesse ter uma vida próxima do normal, como acontece a qualquer criança da sua idade.


O ‘milagre’ surgiu em formato de uma seringa de plástico com conteúdo escuro feito através de um componente da maconha, o CBD, ou mais propriamente dito canabidiol. “Este componente tem curado o meu filho”, diz Bete.


O componente tem revolucionado o tratamento da epilepsia em todo o mundo. Simplesmente reorganiza os neurônios, diferentemente dos medicamentos tradicionais, os neuro-supressores, com a desvantagem de ocasionar um montão de efeitos colaterais altamente indesejados.


O CBD ministrado por Bete e o marido é produzido pela GW Pharmaceuticals, uma empresa da California, e recebe o nome comercial de Sativex.


Vale mencionar que o canabidiol foi recentemente liberado para uso humano no Brasil pela Anvisa (Agencia Nacional de Vigilância Sanitária). O custo de importação é alto: R$ 3 mil por três seringas cuja posologia dá para um mês aproximadamente.


“Tem valido cada centavo”, conta Bete cheia de entusiasmo. “O nosso amado não apresenta convulsões desde dezembro, quando passou a tomar o CBD diluído em óleo de coco”, declara a mãe com um brilho coruscante no olhar.


LUZ – devido ao alto custo, a família ingressou com uma ação na Justiça local e obteve ganho de causa.


A juíza Hélia Regina Pichotano, da Vara da Infância e Juventude, determinou que Estado de SP pagasse as despesas de importação do remédio. A ação foi apresentada pelo advogado Luís Augusto Pereira Job. É inédita em Itapira e na Baixa Mogiana inteira.


No entanto, mesmo depois de 30 dias de ganhar o direito de obter o medicamento, o Estado ainda não o enviou para a DRS (Diretoria Regional de Saúde) de São João da Boa Vista. Por isso mesmo, o governo estadual está sendo multado por peitar o Judiciário.


“Não deixa de ser frustrante saber que temos um direito conquistado que não está sendo atendido”, admite Bete, que fez um pequeno estoque de seis seringas enquanto aguarda o Estado atender à Justiça. “O que deve acontecer só daqui a 2 meses apenas, segundo nos informaram”


Por enquanto, usa a pastinha de CBD que comprou do próprio bolso, mas não reclama.

“Ver o meu filho correr é uma dádiva incrível, uma alegria que nunca tinha visto anteriormente. É uma emoção formidável”, pondera.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *