MENDIGOS INVISÍVEIS SÃO VISTOS NO GUAÇU

Preste bem atenção. Estas pessoas não estão aí na foto. É isso mesmo: elas são invisíveis, mesmo que sua presença incomode madames, rancorosos, fascistas e ‘classes médias’ na Praça da Bíblia, Capela, Rodoviária e outros locais públicos do Guaçu.

É desta forma que muitos de nós tratamos os moradores em situação de rua. São pessoas camufladas pela própria sociedade, que estão bem na nossa frente, mas as escondemos como se fossem invisíveis aos olhos.

Os moradores de rua são apenas a ponta do iceberg da indiferença humana para com vários extratos sociais vulneráveis.

É o idoso que tem o seu lugar preferencial tomado por gente mais nova dentro do ônibus. É o homossexual e a mulher vilipendiados em seus direitos civis e humanos. É o trabalhador braçal não reconhecido na sua importância profissional.

Contudo, nenhuma indiferença é maior do que aquela para com os moradores de rua. É como se eles não existissem de fato. E sendo invisíveis, cobram um preço enorme para emergirem da obscuridade.

É quando entra em cena o preconceito. “São vagabundos, pingaiadas, gente que não quer trabalhar”, gritam muitos de nós, especialmente quando deparamos com um grupo destes vagando pelas ruas.

Para o psicólogo Flávio Toledo, o preconceito é a raiz de todos os males. É ele que impede de ver no morador de rua um ser humano com uma história de vida pertinente àquele sofrimento.

“Vemos pessoas com a métrica do nosso juízo de valor. Por isso é que os ignoramos; e não compreendemos que eles têm uma vivência que não queremos saber do teor. Os moradores de ruas nos expõem o quanto somos incompreensivos a quem sofre. Enfim, é a ausência de humanidade de respeito”, afirma.
 
Para o esotérico e holístico, Rhoberto dos Anjos, é natural que não queiramos ver quem vive nas sarjetas, porque nos expõem a  degradação social a que somos impelidos por tabela.

Segundo dos Anjos, isto se verifica porque o ser humano é fascinado pela matéria e pela imensa vontade de fruir o que agrada aos olhos. Coisa que os mendigos talvez não tiveram oportunidade de vivenciarem.

“Esta atitude é de puro egoísmo, contrário à nossa essência divina, já que somos todos iguais. E esta igualdade deveria pautar toda a vida em sociedade”, observa.

Aqui no Guaçu já tentaram de tudo para ver se os mendigos ficam de uma vez invisíveis. Inclusive exportaram-no para Santa Catarina numa ação verdadeiramente ‘desovante’.
 
Mas, na realidade, é o CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) quem dá todo um suporte multidisciplinar para quem vive em situação de rua. Lá, o passante ganha comida e atendimento psicológico e de serviço social.

Busca respeitar a dignidade da pessoa humana, dar uma referência a elas e resgatar vínculos familiares perdidos há tempos. Também os encaminha para possíveis unidades de tratamento especializado. Um belo trabalho que merece aplausos. E não o ridículo dos homens.

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