MANIFESTAÇÃO NO GUAÇU: “ORGANIZADORES FORAM AMADORES”, DIZ CIENTISTA POLÍTICO

O cientista político Claudio Ernesto D’Agliano foi ácido ao expor suas análises sobre o fiasco das manifestações contra Dilma no Guaçu. Para o mestrando em Salamanca, uma das mais prestigiosas instituições de ensino da Europa, o que faltou foi liderança efetiva que galvanizasse o público e, de quebra, propusesse uma agenda para 2016. “São amadores, com certeza, que tentam ganhar no grito o que não conseguem nas ideias”, comentou.

PROTESTO – não houve protesto. Aquilo não pode ser considerado uma manifestação. Não houve densidade, não houve organização política e não houve o que se chama tesão. As pessoas que foram achavam que seria lindo gritar palavras de ordem contra Dilma, mas quando viram o número apequenado de gente se decepcionaram. Sobraram discursos vazios, sem quaisquer estímulos para definir uma agenda de atos daqui para frente. Os organizadores enterraram algo que poderia ser bom.

RAZÕES – isto aconteceu porque os líderes são coxinhas, com o perdão da palavra. Só isso. Acreditaram que poderiam fazer política sem política e não entenderam – ainda – que este nicho da vida humana assume seu caráter no varejo, e não no atacado. Para mim, os líderes deste movimento no Guaçu são apenas voluntariosos, mas amadores. Foram tragados pela noção explícita de quem ainda engatinha nos meandros políticos. Tentaram ganhar no grito o que não souberam defender nas ideias.

REDES SOCIAIS – é uma ferramenta poderosa nos grandes centros, mas ainda fraca como mass media no interior profundo. O Guaçu é uma terra de calcanhar rachado que arrota peru, mas comeu chuchu; de muita gente que pensa ter inventado a fórmula da água, que lê um livro a cada década, e quando lê é de auto-ajuda. Os líderes sonharam em fazer um 18 Brumário cibernético, mas a garotada que acessa a internet tem mais o que fazer. Além disso, a panfletagem canhestra na feira foi um desastre. Foi uma manifestação estritamente burguesote e obtusa, sem noção com a realidade e sem vinculação com os movimentos dos grandes centros. Nem o efeito manada, no país, conseguiram captar.

2016 – não digo que todos pensem assim, mas tenho comigo que parte dos integrantes da organização da manifestação oca gostaria de transformar os atos em um cavalo de batalha para o ano que vem, talvez, quem sabe, para barganhar alguma influência – ou pressão- sobre os candidatos mais fortes. Perderam a oportunidade e deram com os burros na água…por puro amadorismo e incompetência.

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