IGREJAS EVANGÉLICAS INFERNIZAM MORADORES E AUTORIDADES FECHAM OS OUVIDOS

Gritaria, música alta, som de baterias e pregações em alto volume dão a tônica dos cultos em três vezes por semana, geralmente, e ainda assustam pelos vocabulários cabeludos que primam pela falta de bom senso.

É assim que moradores de diversas partes de Mogi Guaçu se deparam com o azar da proximidade de suas residências às igrejas consideradas evangélicas, especialmente as de cunho neopentecostal.

À noite, os moradores ficam reféns em suas casas e se trancafiam com janelas e vitrôs fechados, quando não cerrados. Mesmo assim, a gritaria em nome de deus invade as paredes transformam em inferno os momentos de descanso, após um dia de trabalho.

Só resta à população a abnegação interior e aumentar o volume de televisores e rádios para contrapor a saliência de templos improvisados até mesmo em antigos bares de pingaiadas, onde os arautos da fé fazem da gritaria um culto aliado às performances bizarras que beiram formas esquizóides.

“Isso me dá nos nervos, é um barulho, uma gritaria que não dá pra aguentar. Quando eles vêm eu saio de casa e só volto às 10 da noite”, resmungou Mariete Nobre, moradora próxima de um templo que prima pela falta de respeito, na Vila São Carlos, um dos bairros que mais foram assediados por neopetencostais e suas igrejas do barulho.

O bairro está infestado de templos de que primam pelo desrespeito ao vizinho. São pelo menos 10 em um raio de pouco mais de um quilômetro quadrado de distância entre as igrejas, e algumas realmente incomodam mais do que bares, que agora ganharam a auréola de santificados.

“Os pingaiadas são menos barulhentos do que este povo que pensa que Deus é surdo por causa da gritaria”, mencionou Célia Camargo.


SEM PROTEÇÃO

Indefesos, os moradores veem as autoridades lavarem as mãos e fecharem os ouvidos diante do quadro estarrecedor. Reclamar para as forças de segurança é também clamar no vazio. As ocorrências são na maioria recebidas, mas de efetivo, o combate ao barulho, não acontece.

Há uma Lei do Silêncio em vigor no município, que acaba sendo desrespeitada ou mal compreendida pelo fato de se acreditar que o barulho – qualquer um que seja – deva ser tolerado até às 22h, quando, na verdade, o simples importuno já seria motivo para agir.

Preferem não ‘mexer’ com as igrejas – isentas de impostos – ao cidadão que paga os tributos e o ITPU, além do ICMS, que financiam os equipamentos (inclusive de aferição de decibéis) e pagam os salários dos integrantes da PM e da Guarda Municipal, por exemplo.

A prefeitura é outro ente público que faz vistas grossas à grosseria de pastores que esgoelam em suas tribunas públicas, bem como aos fiéis sem noção da gritaria que produzem. Com exceção, diga-se, de templos que aprimoram suas relações de respeito aos vizinhos e investem em isolamento acústico com a aquisição de vidros e portas especiais. Mesmo assim, o barulho viceja, mas em menor volume.

A fiscalização municipal também não existe em relação a esta deplorável situação. O mesmo se verifica em outras solicitações semelhantes, que necessitam de uma intervenção urgente que nunca surge.

Uma das supostas razões é que, tratados como possível massa de manobra política, os evangélicos são tidos como oportunos para as eleições. Então, não seria à toa que pastores e seus representantes estão em certos postos considerados chaves de uma administração, quando não em outros cargos de confiança (sem concurso público) apenas para agradar este ou aquele agente, com fins que beiram aos eleitoreiros.

 Assim sendo, desafiá-los poderá significar a perda de votos.


POSSIBILIDADES


Vale lembrar que existe uma base parlamentar de evangélicos na Câmara, cujos expoentes são os sérios vereadores Luciano da Saúde (PP) e o pastor Elias, do PV.

Contudo, até o momento, não se viu comprometimento deles em favor dos moradores que se sentem refém das gritarias.

Mesmo assim, reconhecem que há investimentos sendo feitos pelos templos, porém os custos são altos demais para fazer valer a lei de uma só vez.

“A gente reconhece que existe este incômodo, mas de minha parte me comprometo em conversar com as lideranças para encontrar um denominador comum que contemple os fiéis de outras denominações religiosas”, informou Luciano.

É mais do que preciso, pois são católicos, espíritas, budistas, ateus, islamitas, maçons; testemunhas de Jeová e até mesmo protestantes tradicionais atacados no direito de viverem em uma sociedade em silêncio, calma, tranquila.

Uma sociedade onde todos possam cultuar Deus à sua maneira, mas de forma pacífica e sem barulho, especialmente nos cultos que não se invocam aos berros mais o nome do capeta do que mesmo o santo nome de Jesus Cristo.

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