HISTÓRIA: A ESTRADA DE FERRO AINDA CORRE NAS VEIAS DO SEO JÁCOMO ZANCO

Os olhos claros e límpidos irradiam a pureza de coração que deflagra uma história que amalgama a força da família Zanco.

Uma família como tantas outras de Mogi Guaçu, honesta e trabalhadora, que encontrou na estrada de ferro a sua energia e tradição.

À frente do núcleo familiar está o ex-manobrista da Estrada de Ferro Mogiana, Jácomo Zanco, com 85 anos bem vividos.

Destes, 31 anos foram dedicados com prazer à ferrovia que conferiu identidade própria aos moradores e cidades do leste paulista, uma das regiões mais prósperas e ricas do nosso Estado.

Pai do presidente da Câmara Municipal, Luís Zanco (PTC), o Zanco da Farmácia, o agradável seo Jácomo traz na memória os tempos em que fora um dos responsáveis pela segurança do transporte de passageiros e de trens de cargas de Campinas a Ribeirão Preto.

Jácomo com os filhos – Luís Zanco, presidente da Câmara, e Inês: união e devoção à ferrovia

Era um ofício pesado, exigente, de muita responsabilidade.
Zanco e colegas fincavam no cotidiano a segurança como lema, e com isto garantiram a distribuição de riquezas pelas Alta, Média e Baixa Mogiana.

Nos vagões de passageiros, contudo, a riqueza maior da alma humana estava garantida.

Era nos trilhos da vida que homens, mulheres e crianças colecionavam esperanças e rogavam o fim de tristezas na estação próxima, sempre à espera do recomeço de uma nova jornada, um novo capítulo da existência a escrever com as tintas da emoção.

“Por dever de ofício, os passageiros exigiam um cuidado constante. Estávamos sempre alerta para evitar quaisquer contratempos, especialmente à noite. Graças a Deus que conseguimos fazer um belo trabalho naqueles anos todos”, conta com orgulho o ferroviário aposentado, que não escondeu as lágrimas discretas que mourejaram os olhos.

Seo Jácomo contou ainda que o conforto sem luxo extravagante que por merecimento conquistou se deve, sim, à devoção à ferrovia. Mas sem o apoio da esposa Gilmere, de 82 anos, e dos filhos Luís, Inês, Vera e Silvia, todos vencedores em suas profissões, não teria chegado a nenhum lugar. “Eles foram meu suporte e esteio”, declarou.

LEMBRANÇAS  E TOMBAMENTO DA PONTE

O filho Luís reafirma que se lembra de muitas viagens ao longo do itinerário, com destino a Ribeirão Preto, onde morava com minhas irmãs.

Era uma alegria acompanhar o pai pelas paragens do Guaçu, sentindo a liberdade de estar fazendo história própria dentro dos vagões.

“A ferrovia foi um marco forte na nossa família, especialmente na minha vida. Não à toa que viemos morar em Mogi Guaçu por causa do trabalho do meu pais. Aqui fincamos raízes e somos felizes por sermos guaçuanos de corpo, alma e coração”, admitiu Luís Zanco.

Ponte de Ferro: propositura do vereador Luís Zanco garante o tombamento histórico deste patrimônio de Mogi Guaçu “para que as futuras gerações conheçam-no com suas características extraordinárias”

Por isso mesmo, o presidente da Câmara guaçuana guarda na memória, compartilhada com as irmãs, os tempos considerados como os melhores anos da vida.

E para eternizar a importância da ferrovia para o município, Luís não esquece as origens e apresentou propositura que permite o tombamento da linda Ponte de Ferro, o maior marco do desenvolvimento guaçuano.

Zanco explica que é também um resgate da memória afetiva, porém, da própria cidade de Mogi Guaçu.

O objetivo é garantir que este marco histórico do município mantenha as suas características únicas para as futuras gerações.

“Por mais inacreditável que seja, é importante ressaltar que a ponte, como patrimônio histórico guaçuano, nunca foi objeto de tombamento. Portanto, fundamental que continue bonita, elegante e conservada com a sua peculiaridade e identidade própria. Justamente para que não venha a sofrer, num futuro horrível, o triste fim das ferrovias. Este é o objetivo real com a propositura que apresentei”, garantiu Zanco da Farmácia.

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