A HERA DA MEDIOCRIDADE

Qual a razão da existência de um político: Muitos dirão: poucas.

Sem aprofundar na questão filosófica, a política deveria ser mais ou menos como define Aristóteles, que conceitua todo homem como ser político que converge seus interesses para polis, o espaço onde vivem os cidadãos.

Infelizmente, o que vemos é o contrário: a polis se curvando para os interesses do político.

Olhando de viés para a nossa Câmara  Municipal, salvo as exceções de sempre, tem-se um exemplo escrachado de diminutos interesses e de volúpia pessoal, conforme o noticiário da imprensa local.

Volúpia esta que pode ser personificada no último exemplo de pequenez política, convenientemente perpetrada no carnaval, onde se acreditaria que ninguém iria perceber nada, onde a folia iria ser travestida numa semeadura de ética pútrida e o decoro rasgado.

Nomeações favorecendo a noiva, e o irmão do assessor de gabinete de um vereador dito ético, são o obscurantismo ao quadrado.

Contudo, estão no mesmo balaio de gato daquele outro vereador que usou o carro do Legislativo para levar a família para fazer turismo. Mas se a este resta a réstia de que fora julgado e absolvido, ao primeiro só restou à população a indignação ainda bafejada de hálito quente.

Porém, vale dizer que antes de ferir apenas o decoro, os dois atos ferem a vergonha de pessoas de bem que trabalham na lida diária e ganham salário suado, ou dos empreendedores que pagam impostos e geram empregos.

Em qualquer país civilizado os agentes com decência na cara desistiriam dos seus respectivos mandatos e pediriam desculpas a polis de maneira pública, aos concidadãos, e se retirariam para uma quarentena para repensarem suas condutas e ainda sim procurariam ofertar novas tentativas de servir à causa pública.

Em época de Copa do Mundo, onde muitos pensam ser  bonito quebrar o patrimônio público, exemplos destes da nossa Câmara seriam prato cheio para protestos veementes contra formas de fazer política em que os conchavos sobrevalessem.

 Mas quem se candidata a protestar?

 Sim: há um espaço, a internet e em especial as redes sociais.

Conchavos como os mencionados são feitos de forma séria (de risadinhas de prazer idem); mas disfarçados com os discursos de fachada na tribuna, como uma bem engenhosa atuação artística onde os palhaços somos todos nós. Mas o picadeiro se chama PLENÁRIO e o custo do espetáculo é dividido aos contribuintes.

A pergunta que fica no ar é:

Alguém ainda acredita neste tipo de vereador?

 

OBS: Hera, com H, é um tipo de trepadeira que toma conta inclusive de muros com cimento.

Bira Mariano

Formado em Jornalismo pela Unaerp - Universidade de Ribeirão Preto, com módulos de pós-graduação em Jornalismo On Line pela Fundação Cásper Líbero. Trabalha na área desde 1995 e possui alguns sites, dentre eles o Jornalístico e o Animal e Companhia.

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