EXCLUSIVO: WALTER ESPERA CONTAR COM APOIO DE HÉLIO E GARANTE RECONSTRUÇÃO DA UPA

O prefeito Walter Caveanha (PTB) concedeu entrevista exclusiva para o Jornal do Guaçu e confirmou que a UPA será de fato reconstruída, dando explicações plausíveis sobre o assunto . No campo político declarou que espera contar com o apoio do ex-prefeito Hélio Miachon Bueno nas próximas eleições, mesmo a despeito dos rumores de que Bueno tenha ‘fechado’ com o opositor Marcos Antonio, do PSD.

Na longa entrevista que se segue, Caveanha demonstra um elevado espírito de responsabilidade pública e cita os gargalos financeiros que se impuseram de forma avassaladora sobre as finanças municipais.

Afirmou que o desenvolvimento e a industrialização sempre nortearam suas gestões e que este pensamento permanece ainda hoje. Comentou acerca do endividamento da Prefeitura – e como fez do limão uma limonada, especialmente para não deixar a peteca cair quando assumiu um Executivo com demandas sérias em inúmeros setores.

 

1 – Há relato de queixas de que investimentos não são realizados de formar regular devido ao endividamento do município, em especial à situação deixada pela administração anterior. Assim sendo, qual a real capacidade de investimento do Executivo, e o valor da dívida encontrada, em 2013.


A capacidade de investimento do Município se tornou praticamente nula em virtude do elevado passivo de curto prazo transferido à administração atual, no montante de R$ 127 milhões. Desse total, cerca de R$ 70 milhões foram renegociados com a Previdência Social, entre outros entes públicos, para pagamento em 20 anos. Outros R$ 35 milhões foram empregados no pagamento de dívidas com fornecedores. Há ainda R$ 30 milhões de dívidas da gestão anterior que estão em aberto. Em razão dessa situação, os investimentos que estão sendo feitos na cidade, como recapeamento de vias, construção de unidades de saúde, Centro Dia do Idoso, entre outras obras, estão sendo custeados com recursos oriundos dos governos do Estado e da União, a fundo perdido.

2) Se Walter deixasse o governo hoje, qual seria o valor da dívida a ser repassada ao próximo prefeito?

De dívida contraída durante o atual governo, não haveria transferência alguma. Herdados da administração anterior, ainda restam R$ 30 milhões não quitados, em torno de cujo montante há negociações no sentido de amortiza-lo no todo ou, ao menos, em parte.

3) O grupo que apoia Walter Caveanha poderá contar com apoio do ex-prefeito Hélio Miachon novamente, nesta eleição? É possível vencer as eleições sem Hélio?


Não nego o nosso interesse em ter o ex-prefeito Hélio Miachon como companheiro, como ele foi nas eleições de 2012 e tem sido durante toda a nossa administração. Uma composição política, porém, não se faz pela vontade de um só, mas das partes. Eu tenho esperanças de estarmos juntos, se o meu nome for confirmado pelos nossos companheiros para disputar a reeleição. Sobre as possibilidades de vencer as eleições sem o apoio do Hélio, eu seria leviano e arrogante se fizesse afirmação nesse sentido. Essa é uma resposta que só um personagem desse cenário poderia dar: o eleitor.

4) Quais as principais dificuldades encontradas pelo atual governo, além das finanças: saúde, educação, segurança, obras ou serviços municipais? O que vem sendo feito nestas áreas tão cruciais?


A rigor, as dificuldades se manifestavam em praticamente todas as áreas. Frota sucateada, ambulâncias paradas por falta de condições de utilização, contrato de coleta de lixo interrompido por falta de pagamento, filas para exames médicos e cirurgias, um contrato de manutenção da iluminação pública que custava R$ 170 por mês e caixa praticamente a zero. Um quadro que nos foi sonegado ao conhecimento durante os encontros das equipes de transição. Foi feita muita coisa nestes três anos. Mas, vou sintetizar em um dado para se avaliar como muita coisa melhorou: o Hospital Municipal fez, em 2015, mais de 900 cirurgias. Resta muita coisa a fazer sem dúvida, mas é incontestável que avançamos e avançamos bastante.

5) Por que há tantas reclamações sobre coleta de lixo, marcação de consultas, capina e limpeza de praças e áreas verdes, por exemplo?


Posso dizer com toda segurança que a coleta de lixo tem sido feita de maneira impecável. Não há problema algum. Marcação de consulta é um problema episódico, ocorre uma ou outra vez, em um ou outro lugar. A demora não é o padrão do serviço. A questão do mato: não é desculpa, mas este é um problema comum a todas as cidades em face da frequência e da intensidade das chuvas, que por sinal causam outro problema que é esburacamento das ruas. Para resolver, contratamos serviços, aumentamos as equipes formadas por profissionais do Cemil, locamos mais tratores com roçadeiras, enfim, tudo que é possível está sendo feito. Para se ter uma ideia: você roça a Avenida dos Trabalhadores desde o Hospital Municipal até o cemitério do Jardim Novo. Quando você lá em cima, o mato já cresceu aqui em baixo de novo. Dizer que a Prefeitura está descuidando, que está agindo com descaso não é verdadeiro. Está sendo feita muita coisa. O trabalho é imenso. É questão de dias para superarmos essa fase em definitivo.

6) A UPA será mesmo reconstruída?


Nunca houve qualquer dúvida a esse respeito. Vamos colocar a UPA de novo em pé. No tempo certo. Com todas as garantias legais. Quando caiu o telhado, nós fomos ver o projeto e o projeto não previa a fixação do telhado à estrutura. Como é que iríamos refazer isso sob o risco de sermos responsabilizados por empregar dinheiro público em uma obra construída irregularmente? Pedimos perícia judicial para atestar as irregularidades e nos garantimos legalmente. E aí acabamos descobrindo outro problema: a UPA foi construída em terreno de particular. O terreno onde ela está não pertencia à Prefeitura. Agora estamos regularizando. Agora podemos fazer a reforma. O processo está na Comissão Municipal de Licitações. Vai ficar em torno de R$ 800 mil.

 

7) Walter se empenhou em trazer novas empresas e continuar a retomada da construção de casas e habitações populares. Há novidades nestes dois segmentos em uma eventual reeleição?

 

Independente de reeleição, habitação e industrialização são duas políticas que não saem do meu pensamento em momento algum. Precisamos de moradias para atender a um grande contingente de famílias que ainda não conseguiram obter esse direito. E precisamos de indústrias para melhorar o nosso índice do ICMS e ampliar a nossa arrecadação. É assim que Mogi Guaçu vai readquirir sua capacidade de investimento. Estamos atentos nessa área. Estão aí a LiuGong, a Premiatta, a Icobit que está fazendo uma obra grande no distrito industrial. No total, 13 novas empresas de instalaram ou estão em fase de instalação desde janeiro de 2013, nos quatro distritos industriais aliás implantados por nós em nossas gestões anteriores. Estamos trabalhando muito com foco no princípio que baliza o nosso governo: desenvolvimento.


8) Há uma aproximação natural do prefeito com o governo do estado de SP. Em contrapartida, o prefeito transparece viajar pouco a Brasília em busca de recursos. Qual a razão?

 

Fizemos muitos contatos em Brasília. Eu estive lá por várias vezes, conversando com deputados, senadores, ministros. Vários dos nossos secretários também foram a vários ministérios. Conseguimos bom saldo, como quase 2 mil casas populares, recursos para o tratamento de esgoto da região do Ypê, para a adutora de água bruta da Cachoeira, unidades básicas de saúde, o CIE (Centro de Iniciação ao Esporte), cuja verba infelizmente não veio até agora. Portanto, não faltou empenho nosso em buscar meios em Brasília.


9) Quais os principais gargalos da administração que o prefeito e sua equipe pretende dirimir, caso seja reeleito?


O gargalo principal é financeiro. É urgente melhorar a receita. Isso pressupõe modernizar a gestão, adotar mecanismos modernos de informática, atualizar a planta imobiliária da cidade. Qualquer um que sente na cadeira de prefeito vai se deparar com esta realidade: a carência de recursos para suportar os custos da administração. Veja-se que só a Saúde consome mais de 33% do orçamento. A folha salarial está batendo nos limites. A questão crucial está no financeiro. Daí a importância da industrialização como propulsora do desenvolvimento, sem o que a cidade não avança.

10) Sobre os funcionários públicos municipais, o que o prefeito tem a dizer em termos de valorização de carreira e recuperação do poder de compra dos salários?


Ninguém consegue administrar esta cidade sem uma sinergia, sem um comprometimento do funcionalismo. E nós estamos contando com essa parceria. Nós temos um histórico de relação com os servidores municipais marcado pela credibilidade. Desta vez, apesar de toda a dificuldade, os compromissos foram honrados. Restabelecemos o convênio médico que a gestão anterior deixou interromper, concedemos os reajustes ao menos com reposição da inflação, pagamos os salários em dia, melhorarmos a cesta básica… Podem dizer que isto é obrigação. Sem dúvida. Mas, diante do quadro que herdamos, digo sem medo que foi necessário fazer grandes sacrifícios para cumprir esses compromissos. Só para lembrar: quando assumimos, em janeiro de 2013, não havia provisão para o pagamento dos salários de dezembro. Tivemos que pagar em duas vezes. Gostaríamos de fazer muito mais. Mas, temos convicção de que não fizemos pouco.

11) Walter é conhecido pela seriedade administrativa e que não dá um passo maior que as pernas. Quais as principais características da sua gestão atual, suas conquistas e porque ele merece ser reeleito?


Como eu já disse, quem decide é o eleitor. Mas, temos certeza de que não desonramos o mandato que recebemos em 2012. A nossa administração foi guiada pela transparência e pela austeridade. Nossa maior obra foi conseguir manter a máquina ativa, graças a um controle extremo dos recursos financeiros. Saímos de um déficit orçamentário de R$ 43 milhões no primeiro ano, procedente da gestão anterior, para um superávit de R$ 13 milhões no cômputo dos três anos anteriores ao atual. Isto não se faz sem competência e sem zelo pelo bem público. Sem exagero, nós recebemos a cidade no limite do caos. Mas, com inteligência e braço firme, conseguimos colocá-la novamente em pé. A credibilidade reconquistada foi a grande arma para alcançar esse resultado.

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