ELEIÇÕES 2016: COMEÇOU A BAIXARIA

Há quem diga que eleição é uma guerra e por isso vale-tudo. Então, no campo de batalha, os ‘guerreiros’ lançam mão de todos os artifícios para atingir os seus objetivos, que é o de derrotar o adversário travestido de inimigo temporário.

O fragor da disputa transforma tudo no baixo calão da historia e os canalhas vestem a capa de amigos do peito do momento na busca de serem vestais da moral e da indignação – esquecendo que a política é a arte do convencimento, do entendimento e da composição.

Qualquer ato que revele um átomo de impáfia, de soberba, de ataque gratuito gera um desnível que conduz ao caos que viceja a tônica da virulência.

Sim, a baixaria começou.

Há que se considerar a distribuição pela cidade de um panfleto contra o candidato à reeleição, o prefeito Walter Caveanha (PTB), lançando mão de uma reportagem da Gazeta Guaçuana, como tal: baixaria.

Não se trata de considerar baixaria a representação contra Caveanha, protocolada por Marcio Diniz, candidato a vereador que ganhou uns 15 segundos de fama.

O que é baixaria é a transformação de um assunto prosaico de campanha – a representação junto à Justiça Eleitoral – como material vulgar de ataque mentiroso contra Caveanha (e poderia ser outro candidato). Enfim, ‘pegar’ o assunto, a reportagem séria da Gazeta, e produzir uma arte que beira ao amadorismo só revela o mau caráter de quem a produziu. Apenas isso!

A CAMPANHA

A campanha segue firme nas ruas, na internet e no rádio. Nas ruas com os candidatos fazendo o corpo a corpo, participando de comícios e realizando visitas.

Na internet vemos um festival de artes e flyer, santinhos virtuais e muitos vídeos. Alguns candidatos se destacam: Alex Tailândia (PRB), postulante a prefeito, continua com boa apresentação e vídeos bem objetivos, diretos e com um toque de denúncia, sua marca principal. Em alguns dos vídeos, Tailândia realiza edições em tons jornalísticos. Se acertar a mão com um tempero a mais de propostas pode se dar muito bem com esta mídia.

Por sua vez, o prefeito Walter Caveanha aposta em vídeos mais sisudos e muito bem editados. Sua posição é a de um candidato que tem o controle da situação e busca passar a imagem de um administrador competente. O QG de campanha de Walter, com certeza já deve estar pensando em uma estratégia que lance Caveanha nas vias públicas, o que daria uma mistura fina que agradaria bastante.

Marcos Antonio, do PSD, tem feito uma campanha na internet, em vídeo especialmente, diga-se, menos atuante; porém não menos interessante com relação aos demais candidatos. Seu vice, André Bueno, tem atuado nesta mídia com mais ênfase de uma forma espontânea e coloquial, a nosso ver acertadamente.

Não seria à toa esta estratégia. A ideia, segundo parece, é de fazer conhecer André Bueno cada vez mais junto ao eleitorado e colar no candidato a vice o que de fato ele é: filho de Carlos Nelson. O que, convenhamos, não é pouco.

Entre os vereadores, muitos candidatos lançam mão das redes sociais, mas alguns com maior destaque do que outros. Podemos citar, sem desmerecer os demais, Ivens Chiarelli (PTB), Dr. Zaia (PPS), Luís Zanco da Farmácia (PTC), Luciano da Saúde (PP), Amarildo Constantino (PSDB), Alair Bellini (jornalista e conhecedor do assunto, do PDT) e Marçal do Sindicato (SD). Jeferson Luis, do PROS, também domina a arte das redes sociais.

Contudo, Ivens, Zaia, Luciano da Saúde, Marçal e Alair Bellini estão sabendo manejar a ferramenta como poucos, de forma simples, objetiva e de acordo com os seus conhecimentos e a difusão através da rede de amigos. Estão acertando.

RÁDIO

No Rádio, a campanha segue adiante com spots e programas propriamente ditos.

Neste veículo fabuloso, de alcance eficiente e imenso, o candidato Walter Caveanha está anos luz à frente. Veicula um programa com começo, meio e fim. Introduz declarações do povo, como daquela senhora que ganhou no sorteio uma residência do Ypê Amarelo. Além disso, apresenta propostas e cria uma empatia bem bacana com quem ouve. O âncora Gil Costa, ao que nos parece, é um expert no assunto.

O programa de Tailândia começa forte, com um jingle eficiente e que desperta o interesse do ouvinte. Daí surge o candidato com uma voz numa entonação abaixo da introdução e sem a ‘força’ necessária para manter o mesmo ritmo. A modulação da voz de Tailândia daria um acerto correto na ‘receita’, mas sem a presença de um locutor (âncora) o resultado final fica meio bom – meio ruim. Se introduzir a locução, além de um fala-povo, ganhará densidade.

Já um dos programas do Marcos Antonio, apenas com a declaração do candidato a vice, André Bueno, definitivamente é maçante. A declaração é discursiva ao extremo, longa e cansa pacas. Para piorar, o vice não é incisivo e dá a impressão de que não se importaria em ganhar. Ora bolas: se ele não deseja vencer, como quer que o eleitor vote no cabeça de chapa, no caso Marcão, que vem gastando sola de sapato em dezenas de visitas e reuniões?

Bira Mariano

Formado em Jornalismo pela Unaerp - Universidade de Ribeirão Preto, com módulos de pós-graduação em Jornalismo On Line pela Fundação Cásper Líbero. Trabalha na área desde 1995 e possui alguns sites, dentre eles o Jornalístico e o Animal e Companhia.

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