ELAS VENCERAM AS OLIMPÍADAS DA VIDA

O câncer é uma doença que nos torna humanos. O diagnóstico, na maioria das vezes, é sinônimo de morte ou de sofrimento. A dor faz parte de todo um processo de interiorização que traz como legado uma experiência única: a do auto conhecimento.

“O câncer de mama não é nada fácil. A gente cai no questionamento clássico do por que eu? Então, se revolta contra a vida, contra Deus e contra tudo. Se não é a família para nos dar apoio naqueles primeiros instantes, possivelmente não estaria aqui falando com você”, relata Vanda Silveira Moraes Soriani, comerciante diagnosticada com câncer há 4 anos.

Ela também é presidente da Associação Pétalas de Rosa, de Itapira.
Segundo Vanda, receber uma notícia tão devastadora é mesmo muito doloroso. Ela traça um paralelo como se alguém jogasse sobre si um fardo de 100 quilos. Mas não deu para ficar parada a olhar o tempo passar, segurando aquele fardo sozinha.

Começou imediatamente o tratamento com as tradicionais quimioterapia e radioterapia ainda em 2012. No ano seguinte extraiu um quadrante com o tumor ainda não ramificado ou com metástase.

Foi um período de muitas reações adversas devido aos medicamentos, mas dentre tantos revezes recebeu a informação de que o tumor era compatível com uma ‘vacina’ que impedia a proliferação de células cancerosas novas.

Após quatro anos, no momento faz o controle da doença. Este é um período de cinco anos pelo qual passa por consultas regulares com o mastologista e toma remédios diariamente.

“Aprendi que o câncer é antes de tudo uma oportunidade de se amar mais, colocar a si em primeiro lugar depois de Deus, conhecer outros valores e prospectar pequenos milagres diariamente”, afirmou.

A fé passou a ser companheira constante do dia-a-dia, portanto. “Sem ela, não existiram forças para seguir adiante, fazer o tratamento e reconhecer que somos fortes também”, declarou Rosana Avelina de Oliveira Preto, diretora de escola pública e também diretora da Pétalas de Rosa.

Assim como Vanda, relatou que o diagnóstico teve o impacto de uma bomba nuclear de muitos megatons. “Para piorar a situação, a notícia foi dada na véspera de uma data marcante, o Dia das Mães de 2013. Foi um impacto horrível, perdi o chão com certeza”, conta.

Naquele momento de confirmação teve a companhia do marido. Junto com ele, Rosana não teve outro pensamento senão o de procurar auxílio na espiritualidade.

“Fui direto à matriz de Nossa Senhora Aparecida dos Prados para conversar com o padre. Ali foi o início do meu tratamento, de que teria que lutar e que não estava sentenciada à morte”, afirmou.

Buscar apoio em uma crença genuinamente pura ajuda e muito. Rosana e Vanda confirmam que as orações de religiões de várias denominações foram recebidas todas com carinho. Católicos, evangélicos, espíritas e muitos outros se tornaram irmãos verdadeiramente.

A fé de Rosa foi tamanha que, assim como a amiga Vanda, não foi preciso extrair a mama como um todo, a não ser um quadrante. Em seguida, vieram as quimios e as radios com todas as suas consequências. Saiu vitoriosa e hoje está no período de controle – forte e bela.

Pelas pegadas que trilharam, as duas reconhecem no caminho as dificuldades e percalços, mas pressentiram a esperança e venceram o medo como quem recolhem flores ao afastar pedras.

A esperança recebeu um lindo nome: Associação Pétalas de Rosa, fundada oficialmente há dois anos em meio, se tornando uma das principais entidades de apoio às pacientes com câncer de mama da região.
Conta com uma equipe multidisciplinar com psicólogo, fisioterapeuta, assistente social, terapeutas ocupacionais e uma grande garra de querer viver mais e melhor. Sendo pétalas, formaram unidas uma intensa rosa de luz.

DA GAZETA ITAPIRENSE

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