EDITORIAL: CIDADE CIVILIZADA É A QUE CUIDA DOS SEUS ANIMAIS

Uma cidade só é civilizada quando cuida da vida. E vida não apenas humana, mas de todas as vidas…de cães, gatos, cavalos, bois e vegetais. Não dá para pensar em uma cidade decente quando permite que os seus animais sejam abandonados pelas ruas como se isso fosse um problema qualquer.

 Uma cidade que não cuida dos seus animais com a devida decência, é também uma cidade indecente para com os seres humanos, em todas as instâncias, na saúde, educação, social e segurança.

Mogi Guaçu precisa olhar com urgência para esses detalhes. É fundamental a existência de leis rígidas que combatam a crueldade e os maus tratos numa ponta, e na noutra dar voz e vez a órgãos que fiscalizem tutores que abandonem seus bichos à própria sorte. Isto posto, não se pode esquecer de subsidiem entidades que recolham, castrem e cuidem de cães, gatos e outros animais de grande porte.

Estamos falando aqui de ações do poder Executivo, aprovadas devidamente pela Câmara e posta em prática a partir da sanção do prefeito.

É simples? Não, não é.

Requer vontade política e pressão da sociedade por demandas específicas que atrelem ajustes ao orçamento, normas que avancem para além da pequenez de alguns, e capacitação de pessoas que estejam aptas a fazer destas medidas políticas públicas.

Casos de abandono, doenças severas, crueldade e malefícios diversos aos animais acontecem diariamente em nossa cidade; e continuarão a existir porque não há dispositivos que impeçam a selvageria. Abandonar um animal à própria sorte não é coisa de gente. É coisa de cretino que precisa se esbarrar em medidas de contenção, seja financeira ou criminal.

O município vizinho de Itapira dá exemplo.

Lá, o prefeito Paganini, oriundo dos movimentos de defesa dos animais, implementou leis severas que ganharam destaque nacional, ao mesmo tempo que criou a DPBEA (Divisão de Proteção e Bem Estar Animal), com a nomeação de um fiscal que percorre a cidade após denúncias.

A DPBEA é ligada à SAMA (Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente), já que ações assim não podem estar atreladas ao SCZ (Serviços de Controle de Zoonoses).

Multas, notificações, boletins de ocorrência e denúncias começaram a surgir; como consequência do conhecimento maior da população de que a Prefeitura está preocupada com a situação que põe o ser humana no degrau mais baixo da civilização.

Aos poucos, até mesmo cavalgadas em que cavalos e bois são destratados por bêbados, passaram a ser fiscalizadas.

É o paraíso? Não, não é mesmo, mas é uma baita iniciativa que, enfim, tira o município da selvageria e o coloca na modernidade civilizatória.

Poderia dar certo em Mogi Guaçu. É possível, claro!

Mas…porém, um município cuja Câmara está preocupada com supostas  músicas obscenas em trenzinhos, ainda é um município preocupado em enxugar gelo. E provinciano em seu cerne.

Cabe ao prefeito Walter ir além destas obscenidades legislativas, e ser o primeiro prefeito a se preocupar seriamente com as demandas dos animais abandonados. Pode ter certeza que conquistaria milhares de votos de uma só vez.

É preciso avançar.

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