DESBUNDE DO RICO CASTIGA A NUDEZ DO POBRE

A vida está ficando cada vez mais difícil devido os riscos de retrocessos sociais, a retirada de direitos adquiridos, a igualdade de gêneros e de que a Constituição não é para todos.

Reforça a ideia de que a sociedade retrocedeu à Idade Média, onde minorias e mulheres eram queimados vivos em prol de uma política de dominância, de caráter machista, moralista, intolerante e truculenta. Como acontece agora, em que o desbunde do rico é aplaudido, enquanto a nudez do pobre é castigada.

O antropólogo Carlos Albuquerque, da Universidade Livre do Brasil (ULB), falou com exclusividade com a reportagem, e avalia que o momento atual do Brasil é de obscuridade. E pode piorar.

“Desde que a sociedade não se levante contrária aos ideólogos da religião e dos políticos de ultradireita, que se aliam à grande mídia hegemônica em pé de guerra contra o governo federal. Então, vale tudo, inclusive falar de Deus com tendências particularistas. E o pior de tudo é que o senso comum acredita que o moralismo é bom e ordeiro. Não é. É apenas uma forma de dominação que atinge a todos”, explica.

Para Albuquerque, é preciso literalmente resistir à esta onda antiquada e cristalizante, que reforça o esteriótipo de marginal a tudo que seja popular.

“Vejam, a moça que dança funk na favela é a biscate geral, enquanto que a mocinha de peito de fora no camarote da Brahma ganha capa de revista de Vip. Contradição pura. Infelizmente, os avanços liberalizantes dos anos 60, 70 e 80 estão correndo perigo de serem extirpados da vida comum, menos para os ricos. Daqui a pouco, irão questionar livros acadêmicos e técnicos por acreditarem que estamos ensinando algo contra Deus e a família”, afirma.

Ainda segundo Albuquerque, são as mulheres que estão na linha de frente contra o conservadorismo que graceja. Para ele, é a melhor resistência contra os moralistas e os tecnocratas que desejam acabar com os direitos dos trabalhadores.

“Estes ‘trombones’ do passado acreditaram que seria fácil impor uma pauta das antigas, via Congresso, em que avaliavam como correta para todos nós. Erraram feio, e para azar deles as mulheres estão motivando outros movimentos sociais, que irão se contrapor aos grupos fascistóides, agregando em seu interior a quebra institucional, a corrupção seletiva, o não respeito às urnas e a fácil adesão a todo discurso de esgoto totalitário”, assegura.

SEM TOTALITARISMO

A bancária itapirense Susan Ayala confirma que as mulheres não irão abrir mão das suas conquistas, e que a pauta conservadora não terá vez na sociedade porque nem mesmo as cristãs querem viver sob a mordaça machista.

“É uma luta constante, pois sempre fomos questionadas pelas nossas posições. Vamos lutar, com certeza, contra o preconceito e contra quem deseja retirar os nossos direitos”, alude.
A comerciante Alexandra Feliciano também vai pelo mesmo diapasão, da defesa das conquistas já asseguradas. Mas ela observa que as mulheres, por optarem por uma sociedade mais ‘aberta’, também buscam a harmonia social e da família. “Quem disser o contrário está mentindo, pois todas a mulheres querem bem a si e aos seus familiares”, cita.

Já o barbeiro Gabriel Machado Silveira Cintra assinala a questão dos estereótipos, e o fato de os ideólogos do conservadorismo quererem impor uma pauta dominante para que sejam tacitamente obedecidos.

“Querem nos impor um ordem social incapaz de viver com as diferenças, sem pluralidade de pensamentos e dos avanços sociais. Querem uma sociedade teocrática em que o único caminho é seguir regras morais ultrapassadas”, destaca.

 

 

Da Gazeta Itapirense

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