CIDADE SUJA: LEISHMANIOSE PODE PROVOCAR EUTANÁSIA EM MASSA DE CÃES

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Com a cidade cheia de entulhos, folhas e material orgânico, criadouros do mosquito palha da Leishmaniose, o CCZ ainda tenta culpar Pinhal, cidade que nã tem lixo jogado nas ruas

O CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) caiu na realidade e teve que correr atrás do prejuízo para tentar evitar que a Leishmaniose Visceram Canina se transforme em uma grande epidemia e traga mais desgaste ao governo do prefeito Walter Caveanha (PTB), já que o órgão dormiu no ponto e não se adiantou em colocar em prática ações que evitassem o surgimento da doença diante da imundície em que está a cidade.

Sem uma equipe adequada para dar conta de coletar 100 amostras de sangue, em pelo menos três bairros, o CCZ teve de passar o pires e pedir um pelo amor de Deus para veterinários voluntários que se desdobraram para coletar sangue de cães no Jardim Guaçuano, iniciamente.

As amostras serão examinadas no Instituto Adolfo Lutz, cujo diretor compareceu semana passada no Guaçu em virtude da gravidade do problema.

Paralelamente à coleta de sangue, agentes da SUCEN (Superintendência do Controle de Endemias) instalaram armadilhas na tentativa de capturar o flebótomo, conhecido como mosquito-palha, transmissor do protozoário Leishmania chagasi, que causa a doença.

A investigação foi deflagrada pela Secretaria de Saúde depois de confirmados três casos da doença em cães, um no Jardim Guaçuano, um no Jardim Centenário e o terceiro na Rua Princesa Isabel, na Vila Ricci, entre o final de janeiro e início de fevereiro. Os dois primeiros foram sacrificados e o terceiro está em tratamento.

Outros dois cães suspeitos de estarem infectados morreram antes de completados os exames protocolares do Ministério da Saúde, mas um ainda teve laudo negativo para leishmaniose visceral. O CCZ coletará amostras de sangue de 100 cães em cada bairro. A ação continuará na próxima semana.

A leishmaniose visceral canina não tem cura, embora exista tratamento. Uma vez infectado, o cão torna-se reservatório da doença e pode ser fonte de infecção para outros animais ou seres humanos que vivem ao seu redor.

O animal doente pode melhorar e a doença pode ser controlada, mas o cão continua sendo portador do protozoário e, por isso, o dono deve aplicar repelente ou usar uma coleira especial no animal para manter o mosquito palha afastado dele.

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Sem equipe e sem estrutura adequada, CCZ do Guaçu pediu um pelo- amor-de-Deus para que voluntários e veterinários ajudassem na coleta de sangue: vergonha para a prefeitura

Existe uma vacina, mas ela não é 100% eficaz. Por outro lado, o tratamento, somado ao uso constante de repelentes ou da coleira, que custa em torno de R$ 60,00 e deve ser trocada a cada seis meses, chega a custar entre R$ 2 mil e R$ 3 mil por ano.

Como nem todos os donos dispõe de recursos financeiros para arcar com essa despesa, a eutanásia ainda é prática recomendada como alívio ao sofrimento do animal.

Embora a leishmaniose visceral possa ser assintomática, o cão pode apresentar feridas na pele e na região da boca, olhos e focinho, sangramento nasal, emagrecimento e, em estágio mais avançado, crescimento anormal das unhas.

As autoridades ainda não têm certeza de onde os três cães foram infectados, uma vez que a SUCEN não detectou a presença do flebótomo no território de Mogi Guaçu com armadilhas que já vêm sendo instaladas como prevenção.

Isso porque a zona rural de Mogi Guaçu faz divisa com a zona rural de Espírito Santo do Pinhal, município que tem casos confirmados e é considerado área endêmica e de transmissão, assim como regiões de Minas Gerais, como Contagem e Belo Horizonte.

A leishmaniose visceral canina foi detectada na região oeste do Estado de São Paulo em 2000 e, desde 10 anos atrás, em Espírito Santo do Pinhal, que conta faculdade de medicina veterinária no monitoramento.

 

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“Chefa” do CCZ encontrou um tempo para mais uma de suas selfies no Facebook

OPINIÃO DO JG

O CCZ deveria ter vergonha na cara e parar de culpar Pinhal, município vizinho, e agir corretamente. Mas, não.

Preferiu ficar no bem-bom, sentado na cadeira fazendo vácuo este tempo todo e deixar a coisa rolar. Deu no que deu.

Com a cidade cheinha de lixo, folhas e matos nas calçadas, ruas e terrenos não iria demorar para que o mosquito palha desse as caras. E deu. O resultado taí. Falta de ações profiláticas e de medidas emergenciais colocam em risco a vida de pessoas e cães.

Se espera agora que o CCZ assuma seus erros e faça as coisas certas, de forma epidemiológica, para evitar que cães sejam eutanasiados por conta de medidas judiciais, como aconteceu no oeste paulista.

O JG está convicto de que isso não foi relatado aos donos de animais onde o sangue foi coletado, e nunca é demais lembrar que retirar os cães de seus tutores em direção à morte (eutanásia) será uma das piores marcas de todos os governos do prefeito Walter.

A coordenação do CCZ será responsabilizada por esta tragédia caso aconteça?

 

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