CARNAVAL 2014: MOGI GUAÇU, TÚMULO DO SAMBA

Realizar o carnaval em Mogi Guaçu virou tabu. A maior festa popular do país foi considerada persona non grata no começo do ano passado, pautada por discursos populistas de ser um evento do então prefeito festeiro.

Desde então, o folclore brasileiro foi destituído do seu lugar de primazia e relegado a um canto da história. Dizia-se, e diz-se ainda, que a grana deveria ser melhor empregada na saúde, nas unidades e postinhos, na aquisição de remédios, na contratação de médicos.

Contudo, o que se viu há poucos dias foi a exoneração do secretário de Saúde com resultados pífios, risíveis mesmos, assim como é a gestão do secretário de Cultura, que ainda não sabemos a que veio a não ser para receber o salário mensalmente e fazer pirotecnia com eventos aqui e acolá, sazonais, extemporâneos, que nada revelam uma administração cultural moldada numa estratégia minimamente ideológica – quiçá pragmática ou programática.

Haveria de se supor que o secretário Luiz Carlos passasse por consultas na rede pública para apurar se a grana economizada na cultura melhorou a saúde em nossa cidade.

Há quem diga também que o ex-secretário de Saúde (demitido) poderia ser nomeado na Cultura em virtude de não ‘ter feito nada sobre nada’ em termos de realizações consideráveis. Desta forma, não iria modificar em nada o que vemos na pasta cultural que ficou às escuras após 1º de janeiro de 2013. Um locaute.

Obviamente que há prioridades na administração municipal que sejam, digamos, mais importantes que a realização do carnaval; porém, a cultura é sobejamente necessária para a saúde, o bem estar e a qualidade de vida da população.

Até mesmo o teatro Tupec, agora fechado para reforma, foi motivo de críticas de um comediante que falou sério, e ainda por cima motivou comentários no facebook até mesmo de um jornalista que andava a tiracolo – em especial na Câmara – com alguns agentes de menor monta do executivo próximo das eleições de 2012.

Enfim, fica difícil fazer cultura quando não há vontade de fazê-la. Vejamos os exemplos dos secretários de Mogi Mirim e em especial o de Itapira. Nestas duas cidades os secretários se levantaram das cadeiras e foram atrás de grana. Marcelo Iamarino, de Itapira, conseguiu levantar mais de R$ 200 mil do PROAC, o programa de fomento da Secretaria Estadual de Cultura, por meio do deputado Barros Munhoz.

Com o recurso, ele financiou os desfiles das escolas de samba e blocos e vai realizar quatro bailes de graça no principal parque da cidade. Marcelo Iamarino apenas elaborou um projeto, correu atrás e, claro, contou com um deputado que realmente ajuda a cidade.

Por que então seria tão difícil ao secretário do Guaçu fazer o mesmo pela Cultura da nossa cidade?

O que se percebe é que os esforços do prefeito Walter, em sanar a cidade, não estariam sendo acompanhados na mesma sintonia por uma pasta tão importante quanto a da Cultura.

 

Bira Mariano

Formado em Jornalismo pela Unaerp - Universidade de Ribeirão Preto, com módulos de pós-graduação em Jornalismo On Line pela Fundação Cásper Líbero. Trabalha na área desde 1995 e possui alguns sites, dentre eles o Jornalístico e o Animal e Companhia.

Seja o primeiro a comentar