CÂMARA PODE ABRIR CEI PRA INVESTIGAR SUPOSTA PROPINA E FRAUDE DA MERENDA

Os vereadores de Mogi Guaçu se reúnem a partir das 15h desta quinta-feira para avaliar a possibilidade de abrir uma Comissão Especial de Investigação (CEI) que apure o suposto desvio de dinheiro público ocorrido a partir de licitação, da Prefeitura, para a aquisição de merenda.

A reunião, segundo apurou o JG, ocorre em um clima de pré-crise.

De acordo com vereadores ouvidos em sigilo, o caso é considerado bombástico e afeta o coração da administração municipal, com respingos sérios no Legislativos, com o suposto envolvimento de um dos seus membros.

“Sem dúvida que este será o assunto predominante por semanas dentro da Câmara. As reportagens foram pesadas e a presença do prefeito no meio daquilo tudo nos deixou consternados”, declarou um entrevistado em ‘off’.

A CEI, se aprovada posteriormente pelo plenário, será formada por três vereadores, e terá o poder de emitir parecer que balize até mesmo a cassação dos envolvidos na Operação Prato Feito aqui no Guaçu

Zanco (centro), presidente da Câmara: “apoio as investigações da Polícia Federal, mas não abro mão de ouvir o prefeito Walter as ponderações dele sobre a Prato Feito”

Já para o presidente da Câmara, Luís Zanco Neto, o Zanco da Farmácia (PTC), a operação – que teve como alvo o setor de Licitações da administração municipal, além do prefeito Walter Caveanha (PTB), suspeito de ter obtido propina de R$ 4 mil; e o seu filho, o vereador Thomaz Caveanha (PTB), pode ser o estopim de algo mais sério.

“Contudo, agora com os ânimos mais asserenados podemos dimensionar sobre o quê fazer. E vamos analisar em forma colegiada, com todos os vereadores juntos, sobre este início de crise na gestão municipal”, esclareceu.

Conforme Luís Zanco,  está descartado o cenário de caças às bruxas e muito menos o clima de perseguição.

“Não vamos entrar na onda que julga antes de ouvir e conhecer todos os pormenores da situação. O prefeito Walter Caveanha, assim como o vereador Thomaz, têm ao amplo direito à defesa e de se explicarem sobre este verdadeiro imbróglio. E vamos ouvi-los. Porém, apoiamos as investigações da Polícia Federal de maneira irredutível”, avisou.

Nesta quarta-feira, seis policiais federais e dois agentes da CGU (Controladoria Geral da União) cumpriram mandado de busca e apreensão no 4º andar da prefeitura, onde se situa o gabinete do prefeito Walter Caveanha, além do 6º andar, onde se localiza a Comissão Municipal de Licitação (CML).

Também foram alvos as Secretarias de Administração e da Fazenda, bem como a casa do prefeito e do seu filho, Thomaz.

Os agentes investigaram suposto desvio de recursos federais para a compra da merenda escolar, uniformes e material didático. A ‘Prato Feito’ ocorreu nos Estados de São Paulo, Paraná, Bahia e Distrito Federal.

Da casa do prefeito, os policiais federais levaram um computador e um celular para serem periciados, mas de acordo com nota oficial, os contratos firmados para o fornecimento da merenda escolar, uniforme escolar e apostilas não ocorreram na atual Administração Municipal, e que a Prefeitura colaborou com as investigações, ao fornece os documentos necessários para a apuração dos fatos.

 

OPINIÃO DO JG

É claro que uma notícia destas, do envolvimento do prefeito e do seu filho, o vereador Thomaz, em suposta fraude na aquisição de merenda é estarrecedora.

É óbvio que a presença de agentes da PF, cumprindo mandados de busca e apreensão na comissão de licitação, nas secretarias de Fazenda e Administração, no gabinete, e, principalmente na casa dos Caveanha realmente choca.

Porém, nestes tempos bicudos em que as imagens falam mais do que os fatos, e que os inocentes pagam por ações dos corruptos (taí Lula preso – e a quadrilha de Temer acabando com o país de forma impune), a inocência se transforma em motivo de chacota.

É quase inimaginável que Walter seria capaz de se sujar por parcos R$ 4 mil em propina.

O valor – diante das propinas divulgadas em reportagens diversas – é um vexame de ridículo.

É um ato até mesmo de covardia e linchamento moral envolver alguém numa operação deste porte ‘por um dinheiro de pinga’.

O vereador Thomaz e o prefeito Walter Caveranha, arremessados a um cenário nebuloso, podem esclarecer tudo de forma serena e que não estão envolvidos na Prato Feito

Caveanha deve vir a público e escancarar, sem meios tons, sobre os contratos do ‘passado’ para atestar sua inocência, pois, como a imagem é tudo, a semiótica da comunicação lhe foi implacável: no imaginário da população ele tem culpa no cartório e onde há fumaça há fogo.
É assim que pensam os cretinos das redes sociais, acostumados ao lavajatismo cerebral que a imprensa inoculou e pestilou na sociedade brasileira.

Então, Caveanha precisa URGENTEMENTE:

1) demonstrar de forma cabal que não está envolvido nessa Prato Feito

2) demonstrar que os contratos foram realizados no passado e quem foram os responsáveis?

3) e, se assim aconteceu, por que não fizeram nada para trazer à tona os maus feitos?

A Câmara Municipal também tem o dever apurar os fatos e fundo e não pode pôr panos quentes em nada. Contudo, deve evitar os politiquismos, fanfarronice e o estardalhaço. A população exige e quer transparência, inclusive, dos parlamentares neste caso.

Somente assim o prefeito Walter, político que sempre foi conhecido pela honestidade, poderá demonstrar por A mais B sua ficha limpa e honradez. De forma serena e cabal.

Divulgação de notas pode balizar finais de reportagens, apenas.

O prefeito precisa tomar a dianteira e partir para o front e defender o seu legado.

E a hora é agora, Walter!

Bira Mariano

Formado em Jornalismo pela Unaerp - Universidade de Ribeirão Preto, com módulos de pós-graduação em Jornalismo On Line pela Fundação Cásper Líbero. Trabalha na área desde 1995 e possui alguns sites, dentre eles o Jornalístico e o Animal e Companhia.

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