CALCINHA: A PEQUENA NOTÁVEL

Em 1910, Eric Pritchard, escritora e feministas moderna, declarou que as mulheres não poderiam abrir mão desta pequena peça como símbolo de sedução e mistério.

De lá para cá, nos dias de hoje, a pequena notável continua bombástica. O apelo erótico cada vez mais explícito tirou a peça das alcovas das cortesãs, para quem foi criada, e invadiu o dia-a-dia das mulheres e transformou as relações com os homens, por exemplo.

O corte, a modelagem, os tecidos e estampas deram à calcinha o sentido de moda. Cunhou-se a expressão moda íntima para designar todo um conjunto de símbolos que denotam o bom gosto de quem valoriza a roupa de baixo.

Particularidade intrínseca do arsenal incrível que as mulheres possuem para seduzir, a calcinha guarda mistérios que muitos homens – e mulheres também – ainda não descobriram.

Especialista no assunto, a empreendedora Bruna Sabino, proprietária da Puro Glamour, explica que na maioria das vezes a mulher apenas pensa em usar uma peça para o cotidiano, sem aquela intenção límbica de provocar.

“Mas, para ocasiões especiais, as calcinhas têm que acompanhar um conjunto de lingerie como um todo. Isto não pode faltar”, detalha.

 

TANGA E FIO DENTAL

 

Apesar de sempre parecerem a mesma coisa, os modelos diferenciam o produto em si. Calçolas estão descartadas. As brasileiras odeiam calcinhas que as definem como mulheres antiquadas. As tangas, menores em tamanho, delineiam o bumbum e ainda por cima destacam os atributos feminis, sem aquele apelo vulgar, são as preferidas, segundo pesquisas das empresas do setor.

Com o advento do feminismo, a liberação sexual e as conquistas das mulheres no mercado de trabalho, as calcinhas acompanharam a tendência de libertação e foram diminuindo de tamanho cada vez mais.

A moda praia lançou o fio dental por volta de 1987 e, logo em seguida, o prurido foi levado para as lingeries. Hoje, o que se vê por aí são adolescentes e marmanjonas em especial desfilando nádegas com aquele fiozinho que separa as duas partes do paraíso.

Nos anos 80 e parte dos 90 a sensação, porém, eram as calcinha do tipo Asa-Delta, afamadas pelas manjadas Garotas do Fantástico, uma apelação deliciosa que o programa dominical fazia com mulheres do estilo Magda Cotrofe, que, aliás, saiu da TV e foi parar nas capas de Playboy. Hoje está sumida.

 

DIFERENTES APTIDÕES

 

Bruna, da Puro Glamour, enfatiza que a moda íntima é bastante diversificada. Os tecidos vão do algodão ao viscolycra e não se deve esquecer da tradicional renda. “A renda é como se fosse um vestido de festa, que a mulher usa para ocasiões mais do que especiais”, admite.

As cores preferidas para estas ocasiões são as vermelhas e deixam as mulheres poderosas. Até a estampagem de oncinha evoluiu dos antigos concursos das Panteras e assomou as ruas e deleitam o imaginário feminino para instigar o libido masculino.

“Contudo, é certo que as calcinhas continuam peças extremamente ‘sexys’. Hoje em dia permitem que vários corpos, desde as magrinhas às gordinhas, bem como as de manequim mediano, se sentirem felizes com o que são, desejadas e leves por serem admiradas pelo bom gosto de usarem um conjunto que faz a diferença na hora H ou no dia-a-dia”.

Bira Mariano

Formado em Jornalismo pela Unaerp - Universidade de Ribeirão Preto, com módulos de pós-graduação em Jornalismo On Line pela Fundação Cásper Líbero. Trabalha na área desde 1995 e possui alguns sites, dentre eles o Jornalístico e o Animal e Companhia.

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