20 ANOS DA HISTÓRICA CANDIDATURA DE MUNHOZ A GOVERNADOR

Vinte anos atrás, em maio de 1994, o deputado Totonho Munhoz (PSDB) se lançava candidato a governador de São Paulo, o mais rico da nação. A trajetória vitoriosa do atual líder do governo na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) foi amalgamada por uma campanha histórica, e definitivamente alçou Munhoz para o primeiro time da política nacional.

Para entender o contexto histórico da candidatura é preciso voltar no tempo e constatar que Munhoz não foi um candidato temporão. Muito menos caiu de paraquedas naquela eleição.
Obteve o apoio irredutível dos agentes do agronegócio paulista e brasileiro, assim como de setores importantes da Fiesp, por exemplo os segmentos sucroalcooleiro e têxtil.

Além disso, vale lembrar, que os diretórios do PMDB no interior e na capital ratificaram o apoio incondicional a Totonho, apesar de o partido contar com outros cinco pré-candidatos: além de Totonho; José Fernando da Costa Boucinhas, Michel Temer e Arnaldo Jardim, que depois se tornou vice de Munhoz na campanha em 1994.

Barros Munhoz foi praticamente aclamado dentro do partido. Tudo porque detinha o apoio de 70% dos diretórios peemedebistas de SP. Conheceu a todos, tanto no interiorzão quanto na capital, e se transformou no candidato da agricultura, como se dizia à época. Seu conhecimento sobre a área foi especialmente destacado pelo candidato vitorioso do pleito daquele ano, Mário Covas, do PSDB, que em debate público (foram 9 no total) chegou a dizer que Munhoz o fê-lo mais estudioso do agronegócio paulista.

CAMINHO

A trajetória para o Palácio dos Bandeirantes, “considerada uma campanha bonita” por Totonho, começou quando ele deixa o PTB, partido a que esteve filiado, e ingressa no PMDB.

No ato de filiação, uma surpresa: na sede do governo paulista, lideranças petebistas lhe prestam apoio incondicional e o chancelam secretário da Agricultura ainda em 1993.

Logo à frente, meses depois, a partir de uma atuação dinâmica e vertiginosa como presidente do Fórum Nacional de Secretários de Agricultura (realizado duas vezes), atende convite do presidente Itamar Franco (com apoio de todos os Estados) e assume o Ministério da Agricultura com o aval de Pedro Simon, Quércia, Antonio Britto, Michel Temer, dentre outros pesos-pesados da história política peemedebista.

Para Munhoz, o caminho pavimentado no agronegócio com certeza lhe abriu perspectivas exponenciais entre os filiados do PMDB em nosso Estado. Sua popularidade era tamanha junto aos vários diretórios que o próprio governador Fleury Filho não teve como não aquiescer sua candidatura; confirmando, em conversa pessoal, que ele, Munhoz, seria de fato o candidato do partido.

“Não houve convenção porque se tinha um sentimento de que eu venceria a todos os demais pretendentes”, confirma o atual deputado. “Quando saí do Ministério, e retornei a São
Paulo, fui esperado por mais de mil pessoas no aeroporto de Congonhas”, destacou. “Foi uma imensa demonstração de força popular”, menciona.

Durante a campanha, agregou em torno de seu nome várias bandeiras, entre elas a do esporte. As jogadoras Paula e Hortência lhe apoiaram. Participaram, inclusive, de um encontro com o candidato e o então governador Fleury, juntamente com mais 12 atletas, e declararam: “”Barros Munhoz é o único candidato a governador mais preparado para manter o apoio aos atletas de todas as modalidades esportivas”, disseram em 27 de setembro de 1994.

“Foi uma campanha muito bonita e nela obtive 1,6 milhão de votos”, disse. “Fiquei em terceiro lugar, mas saí maior do que entrei”, frisou o deputado, sem deixar de mencionar que tudo começou em 1977, no distrito de Eleutério, num comício em frente do Bar do Paquin. “Eu disse que iria ser candidato a governador de São Paulo um dia e fui, porque sempre trabalho com metas e objetivos”. 

Bira Mariano

Formado em Jornalismo pela Unaerp - Universidade de Ribeirão Preto, com módulos de pós-graduação em Jornalismo On Line pela Fundação Cásper Líbero. Trabalha na área desde 1995 e possui alguns sites, dentre eles o Jornalístico e o Animal e Companhia.

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