PSICÓLOGA EXPLICA O MADA: MULHERES QUE AMAM DEMAIS

Mulheres que amam demais possuem a auto-estima em baixa, garante a psicóloga Josiane Serra (foto acima), que atende grupos de mulheres com traços relatados pela psicoterapeuta Robin Norwood.

“Essas mulheres tem uma dependência extrema do relacionamento, que afeta profundamente a vida delas”, explicou. “O tratamento é efetuado em grupo nos quais se compartilham os mesmos problemas e devagar vão se libertando”, afirmou a profissional ao Jornal do Guaçu.

De acordo com a psicóloga, as mulheres que amam demais possuem  característica similares: são oriundas de lar desajustado, apresentam sintomas de necessidades emocionais não satisfeitas, tentam suprir a insatisfação emocional com outra pessoa e são atenciosas de início, mas se tornam sufocantes no decorrer do relacionamento.

Além disso, não raramente se relacionam com homens aparentemente carentes e outras vezes dependentes químicos ou alcoolistas. “Tentam suprir a carência do parceiro em doses cada vez mais progressivas e quando a relação chega ao fim é como se ficassem sem chão”. “Dai vem angústia, ansiedade e a depressão”.

Na opinião de Josiane, na vida de uma MADA sempre faltou o afeto e o carinho. No relacionamento amoroso buscam desesperadamente estes sentimentos ausentes na infância. “Como estão habituadas à falta de amor, se predispõem a ter paciência, esperança e agradar sem fim ao companheiro. Acham que sem eles não terão vida própria e alimentam a co-dependência”.

Outro traço viciante diz respeito ao fato de arcarem com toda a culpa das crises naturais da relação. “Sentem-se culpadas por tudo porque no fundo não acham que podem ser felizes”, pontua. “Não acreditam que tenham direito à felicidade”.

 

Quando a FISSURA foi maior que a razão

Co-dependência ao extremo anula as características individuais e faz com que o sentimento de culpa por tudo tome conta da relação

Há quatro anos, M.L.N, hoje com 37, abandonou os filhos pequenos, uma menina com 8 anos, e um menino lindo, de 13, como ela mesma diz, com a avó, mãe dela, no bairro dos Prados, em Itapira. Foi viver o que classifica como grande amor no estado do Paraná. Não pensou duas vezes em deixar para trás os filhos em casa, uma imposição do parceiro, que não queria os rebentos do primeiro casamento perto dele para atrapalhar.

“Abandonei tudo para seguir o homem da minha vida”, disse entre o remorso e a esperança nunca completada. “Fui sentir um amor que nunca tinha sentido até então; o André foi a grande e única paixão da minha vida”, afirma a mulher que junta os cacos de um pé na bunda daqueles. “Faria tudo de novo, mas ele me abandonou por outra”, observou com olhar vago como quem contempla o horizonte longínquo de uma lembrança ainda dó, arde e fere. A rejeição lateja.

M. é mais uma dentre milhares de mulheres que amam demais, conhecidas pela sigla MADA, hoje um grupo de auto-ajuda que tenta pôr no eixo as emoções de pessoas que largam tudo para viver a paixão que as consome e enceguece. “Só eu sei o que senti, não posso ser recriminada ou julgada por isso, embora isto aconteça com frequência até hoje, especialmente pela minha mãe, que não se conforma de eu ter partido e deixado os meus pequenos com ela para concretizar um sonho que foi só fantasia”.

A entrevistada confirma que após ser trocada; o mundo lhe caiu sobre as costas.

Confessa ter perdido o chão e os olhos marejam quando lembra com certa raiva a dependência de outro ser humano. Durante 8 meses, após estar separada, diz que teve a vida dividida por viagens entre Itapira e Curitiba (PR), onde morou com o amante do coração. Nada existia além dele, e com as emoções destrambelhadas não conseguia manter-se em emprego algum. O dinheiro foi acabando e as vagens por isso mesmo minguando. Ficou impossível ir atrás do ex, que suprimiu quaisquer comunicações com ela. “Quase fiquei louca, entre em parafuso, depressiva”, admite.

É assim mesmo. As que amam demais são hipossuficientes emocionalmente falando. Largam as próprias vidas para vivenciar a do outro (a) como quem se serve num repasto de sentimentos alheios. Renunciam suas convicções e vegetam sempre dependentes. Quando percebem, a perda se instalou e as requeimam pela busca frenética do objeto amoroso – agora perdido.

A irmandade MADA nasceu com base no livro da psicoterapeuta Robin Norwood, com o mesmo nome. Tem como base os 12 passos adaptados do A.A. (Alcoólicos Anônimos) para tentar fazer libertar mulheres do amor obsessivo. Hoje está instalada em quase todos os estados do Brasil e busca reerguer quem renunciou tudo, inclusive a própria vontade, em busca de um ideal que, para muitos, seria mequetrefe, oco e sem sentido.

Bira Mariano

Formado em Jornalismo pela Unaerp - Universidade de Ribeirão Preto, com módulos de pós-graduação em Jornalismo On Line pela Fundação Cásper Líbero. Trabalha na área desde 1995 e possui alguns sites, dentre eles o Jornalístico e o Animal e Companhia.

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