OPINIÃO: CRIMINALIZAR O FUNK É COISA DE FASCISTA DOENTE

Uma proposta estúpida que criminaliza o funk e o classifica como problema de saúde pública e “falsa cultura” recebeu 22 mil assinaturas de apoio e foi encaminhada para relatoria no Senado. Somente em país como o Brasil, que adoeceu e que vive claramente no fascismo – e caminha a passos largos em direção ao nazismo – proposta como poderia contar com tanto apoio contrário a uma manifestação artística e cultural.

O mentor da medida fascistóide é um empresário paulista chamado Marcelo Alonso, para quem os bailes “são somente recrutamento organizado nas redes sociais por e para atender criminosos, estupradores e pedófilos”.

Em outros tempos, tal proposta seria uma burrice. Atualmente, com o novo normal sendo o errado e o preconceito, a coisa ganha ares de intelectualidade e vira defesa dos valores éticos, morais e da decência de uma classe média engorilada mentalmente, pobre de espírito e ignorante na essência.

Não é preciso ir muito longe para se ver em festinhas de faculdade filhas de famílias do bem dançando seminuas e lânguidas, isto ao som do sertanejo universitário, embebedando-se, fumando ou cheirando e fazendo sexo com este, mais aquele e mais outro, enquanto pais acreditam que tais filhinhas ou filhinhos são exemplos de honestidade porque que não têm culpa já que votaram no Aécio.
 

Para o autor da proposta, há venda e consumo de álcool e de drogas, além de “orgia e exploração sexual, estupro e sexo grupal entre crianças e adolescentes, pornografia, pedofilia”.

Peraí…isso não existe nas festas de peão, nas raves universitárias e nas baladas de muitas casas de show consideradas respeitadas.

No Twitter, a cantora Anitta explicou didaticamente a imbecilidade da coisa:

“São 22 mil desinformados que estão precisando sair do conforto de seus lares para conhecer um pouquinho mais do nosso país.

O funk gera trabalho, gera renda.. pra tanta gente… uma visitinha nas áreas menos nobres do nosso país e vocês descobririam isso rápido.

 Eu não quero nem imaginar a bagunça que viraria o país se um absurdo desses é colocado em prática.

Traduzirão as músicas de outros idiomas pra proibir as q não tem mensagens q agradam aos cultos ou é só uma discriminação mais direcionada?

A lei certa deveria ser que todo filho de quem decide nosso futuro fosse obrigado a estudar em uma escola pública sem cursinho particular.

Que sua família fosse obrigada a frequentar os hospitais públicos… E não criminalizar uma das poucas formas que essa gente conseguiu pra ganhar a vida, amores… Aí não.

Não mexe com quem tá quieto. Ou melhor… não mexe com quem tá se virando pra ganhar a vida honestamente diante de tanta desigualdade”.


Não é a primeira vez que Anitta mostra a que veio. Antes, houve a famosa descascada em William Waack no fim da festa de abertura da Olimpíada.

Waack quis saber se aquela que se apresentou com Caetano e Gil era a “verdadeira Anitta” e se ela se considerava “a nova voz da música brasileira”.

Em resumo: quem você acha que é para estar aqui?

— As pessoas têm que entender que, na música brasileira, as coisas se renovam. As pessoas nascem, podem vir a cantar, a se tornar um sucesso, disse ela.

– Você está falando em você?, inquiriu o comentarista.

– Não, em todas as pessoas dessa geração.

O desejo oculto por trás da ódio e da proibição do funk é o de proibir os pobres e indesejáveis e fazê-los sumir com uma canetada. Depois da canetada, a PM termina o serviço.

Por mais bem-sucedida, Anitta e os funkeiros sempre serão um incômodo por não saberem seu lugar. O que Anitta faz não é apenas música. É política.

(baseado em texto de Kiko Nogueira, do www.diariodocentrodomundo.com.br)

Bira Mariano

Formado em Jornalismo pela Unaerp - Universidade de Ribeirão Preto, com módulos de pós-graduação em Jornalismo On Line pela Fundação Cásper Líbero. Trabalha na área desde 1995 e possui alguns sites, dentre eles o Jornalístico e o Animal e Companhia.

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